Uma espera por saúde. 2.946 usuários assinaram um abaixo-assinado para pedir a instalação de um novo Núcleo de Saúde, no Nova Esperança. A atual Unidade Básica de Saúde (UBS) é insuficiente para atender a demanda de 30 mil pessoas do bairro. Na manhã desta quarta-feira (3), eles realizaram um ato em frente ao imóvel. O abaixo-assinado começou em janeiro e contou com o apoio dos usuários e até de funcionários do posto de saúde que reclamam da falta de infraestrutura.
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Éder Azevedo |
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Moradores do bairro Nova Esperança fizeram abaixo-assinado por nova unidade de saúde |
Em reportagem veiculada em abril, o JC já noticiava o drama na área da saúde da região. O cenário não mudou. Ontem, Helenice Aparecida Lopes, de 52 anos, reclamava que, para agendar consulta, leva em média dois meses e, no dia, ainda precisa esperar horas na fila. “Hoje, eu tinha uma faxina para fazer e precisei desmarcar, porque não sei o horário que serei atendida. Normalmente, tenho que ficar a manhã toda”, pontua.
Na manhã de ontem, havia 80 pacientes agendados e, quando a reportagem chegou, por volta de 8h, tinha apenas um clínico geral. Logo depois, veio a informação de que chegaram mais três médicos.
Quem está na “linha de frente” dos problemas, também sofre. Os atendentes, que muitas vezes são hostilizados e até agredidos, precisam se adaptar ao pequeno espaço e à grande demanda de trabalho.
“Com medo de represálias, eles não querem falar, mas apoiam, nos bastidores, os moradores. Até porque também sofrem com essa precariedade. Na semana passada, uma funcionária foi agredida por um paciente por causa da demora no atendimento. Ela, inclusive, está afastada”, relata o vice-presidente da associação de moradores do bairro, Marcelo Picoli.
Carlos Eduardo Botelho, presidente da associação, enfatiza que o problema não são os funcionários e nem os médicos, mas as condições oferecidas. “Estamos aqui para criticar o sistema que está ineficiente. O bairro cresceu muito e não dá mais conta de atender, por isso precisamos lutar por um novo posto de saúde urgente”.
‘Sofrimento no rosto’
De acordo com a delegada de Orçamento Participativo do bairro, Shirley Sigalo, a UBS do Nova Esperança atende a 11 bairros e mais os novos condomínios do Minha Casa Minha Vida. “É triste essa superlotação, porque você vê o sofrimento no rosto da população”.
Já a delegada do Orçamento Participativo da região do Jardim Eldorado e Nova Esperança, Francisca Bernardino, afirma o espaço físico é um dos grandes problemas no local. “ Não há nem espaço adequado para que as pessoas recebam atendimento”.
O abaixo-assinado foi protocolado na prefeitura, no dia 15 de maio. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informa que está prevista a construção de mais uma Unidade de Saúde na região do Nova Esperança com recursos do governo federal. Porém, não dá prazos.
A obra de construção está prevista nas imediações dos residenciais do Minha Casa Minha Vida entregues nos últimos meses, com o objetivo de adequação da infraestrutura na área devido ao aumento da população.
A pasta informa que “está na fase final de coleta de documentos exigidos para a liberação da verba governamental, que deverão ser analisados pela Caixa Econômica e em seguida dar início ao processo de licitação para contratação da empresa construtora”.
Com posto ‘do lado’ de casa no Parque Jaraguá, cadeirante precisa ir à unidade no Nova Esperança
Além dos moradores do bairro, outros pacientes são relocados para receber atendimento no posto de saúde do Nova Esperança, como é o caso do aposentado e morador do Parque Jaraguá, Milton Dilson Ribeiro, de 66 anos. Ele é cadeirante e está cadastrado no Programa Saúde da Família.
Antes, recebia atendimento no posto do seu bairro, a quatro quarteirões de onde reside. Agora, precisa pedir para que a filha venha de Piratininga para levá-lo ao Nova Esperança.
Para a mulher do aposentado, Aide Clemente de Caires Ribeiro, 64 anos, que também o acompanha nas consultas, a situação chega a ser humilhante. “É muito difícil para vir até aqui, por causa da distância e das dificuldades de locomoção. Ele precisou amputar a perna, por causa do diabetes. Eu sou hipertensa e não temos carro, dependemos da minha filha para nos levar. Sinceramente, chegar na velhice e ter que passar por essas dificuldades é muito difícil,” desabafa a aposentada.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informa que o endereço de Milton não é abrangido pelas Unidades de Saúde da Família do Parque Santa Edwirges e Nove de Julho, cumprindo as regras de atendimento do Programa Saúde da Família, conforme determinação do Ministério da Saúde. “Sendo assim, os usuários nessa condição são encaminhados à Unidade Básica de Saúde mais próxima, que neste caso é a UBS Nova Esperança”, completa a nota.