Articulistas

Falta do cinto de segurança matou John Nash

Archimedes Raia Jr.
| Tempo de leitura: 3 min


Atragédia da morbimortalidade no trânsito não é um fenômeno somente brasileiro. Pelo contrário. Ela está disseminada pelo mundo inteiro, ceifando a vida de cerca de 1,3 milhão de pessoas em todo mundo, anualmente, além de milhares de outras que ficam permanentemente lesionadas. Os Estados Unidos, o país com maior frota de automóveis no mundo, tem conseguido resultados bastante animadores nos últimos anos no penoso processo de redução da insegurança viária. Só para se ter uma ideia, os Estados Unidos apresentam, hoje, uma taxa de 11 mortos no trânsito a cada 100 mil habitantes. Exatamente a metade da taxa brasileira.
Apesar dos esforços da sociedade americana em mitigar os impactos da violência viária, ela foi feroz e abreviou a vida de John Forbes Nash Jr., dia 23 de maio último. Ele foi um excepcional matemático americano, com grandes contribuições, além da matemática, também nas áreas da economia, ciências da computação, biologia evolutiva, inteligência artificial, etc. Trabalhou como Pesquisador Sênior na Universidade de Princetown, na maior parte de sua vida. Em 1994, dividiu o Prêmio Nobel em Ciências Econômicas, com a Teoria dos Jogos, com R. Selten e J. Harsanyi. Foi merecedor de tantos outros reconhecimentos. Além disso, Nash serviu de inspiração para a produção do filme americano "Uma Mente Brilhante", em 2001, um drama biográfico do matemático, dirigido por R. Howard.
Parece incrível que uma pessoa que consiga ter o benefício de gozar de certa longevidade, 86 anos, com um currículo extraordinário, perca a vida, junto com sua esposa Alicia, de forma tão estúpida. John e Alicia tomaram um taxi do Aeroporto Internacional de Newark de volta para casa.
O taxista do yellow cab havia assumido esta nova função havia duas semanas. Era motorista de caminhão. O novato taxista perdeu a direção do carro e bateu violentamente contra um guard rail da New Jersey Turnpike, uma importante rodovia. A excepcional inteligência de Nash não foi capaz de resolver a singela, porém, muito ignorada "equação" da segurança no trânsito.
A "integral" falta de cuidado produzida pelo "resultado" da "soma" de negligências do profissional do volante e dos passageiros, teve como "derivada" uma tragédia. O casal não adotou as devidas cautelas com a segurança viária ao não fazer uso dos cintos de segurança.
A forte batida arremessou o famoso matemático e sua esposa para fora do veículo abreviando-lhes as vidas. Nash que dominava a matemática negligenciou os conhecimentos da física. E quando a física é ignorada no trânsito, os resultados são sempre trágicos.
A manchete do The New York Times, de 25.5.2015, deixa claro: "As mortes do gênio matemático John F. Nash Jr. e esposa mostram a necessidade de usar os cintos de segurança no banco traseiro"
O cinto de segurança, não só para os passageiros da frente, como também para os do banco de trás, é uma das mais valiosas invenções, responsável por salvar milhões de vidas. No Brasil, quase ninguém usa o cinto no banco traseiro. Por isso, muitos brasileiros, tais como o casal Nash, perdem a vida quando podiam muito bem tê-las preservado. O trânsito mata gênios e ignorantes, famosos e anônimos, ricos ou pobres. Para tal, basta uma boa dose de imprudência, negligência, imperícia, etc. A vida é um dom de Deus e deve-se preservá-la.

O autor é dr. em Engenharia de Transportes e especialista em trânsito, professor da UFSCar, di-retor de Mobilidade da Assenag e articulista do JC

Comentários

Comentários