Tribuna do Leitor

Falta autoridade moral na política brasileira


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Há muito tempo o sistema político pátrio se esgotou e o presidencialismo de coalizão não representa a vontade soberana ungida da urna. Ao achaque diuturno do Congresso Nacional e a espetacularização do Judiciário ideológico, lento, gradual e nada seguro soma-se a um Executivo fraco, letárgico e muitas vezes covarde.
Do mesmo modo, a polarização de projetos que floresceram de uma mesma raiz, cria um ambiente de descrença, desesperança e de um falso moralismo cínico. Falta na política brasileira autoridade moral, pois a disputa do descaramento atinge a indignidade e a inteligência pátria.
A oposição brasileira liderada pelo PSDB não pode apontar o dedo decomposto aos escândalos que o governo vem produzindo ao logo dos últimos anos. De fato, o PT se igualou a promiscuidade da política brasileira e faz exatamente o que combateu ao logo de sua história.
Entretanto, ver FHC, Aécio Neves e outros tucanos de alta plumagem vestidos de donzelas castas é um atentado à memória do Brasil. A história da era do PSDB na condução dos destinos da nação é associada igualmente como um período de escândalos e corrupção.
Foi nos governos de FHC que o Brasil perdeu o monopólio do petróleo numa visão subserviente aos interesses nacionais. Não olvidemos da lista de escândalos do PSDB como o caso do Sivam, onde o tráfico de influência, fraudes contra a previdência, entre outros crimes, levaram o povo brasileiro e chegou ao fechamento da empresa Esca, responsável pelo gerenciamento do projeto.
Lembramos também do famoso Proer e a farra dos bancos, os caixas dois das campanhas de 1994 e 1998, o engavetamento da CPI dos bancos, a compra de votos para reeleição, o escândalo DNER, os grampos telefônicos, os apagões de energéticos e telefônicos, os desvios do TRT Paulista e seu juiz Lalau, os desvios da Sudene, o rombo da Sudam, a criminosa desvalorização do Real, o naufrágio dos 500 anos, a implosão da base de Alcântara, a farra do BNDES, o desmatamento da Amazônia, a pasta Rosa...
Isso sem falar no maior crime que o Brasil sofreu com a doação de seu patrimônio público, pois foi sim o PSDB, no Governo de FHC os grandes geradores do maior roubo de nossa história com sua política de limite da irresponsabilidade nas privatizações. Oras, temos os governos Estaduais da Tucanagem, que anda de trilhos do metrô paulista, ou simplesmente pratica a barbárie de corrupção e truculência como o Beto Richa no Paraná, entre outros.
Portanto, de fato falta autoridade moral e não é plausível essa disputa do esgoto de quem rouba mais. O Brasil necessita de uma classe política menos cínica, menos falso moralista, menos subserviente. É urgente resgatarmos um projeto nacional, desenvolvimentista, onde se oportunize e se divida de forma igualitária nossa riqueza.
Temos que resgatar a agenda das grandes reformas de base, que apeou Jango em 1964 do poder. Não podemos mais ver essa disputa fratricida do cinismo dominar a pauta política brasileira. Precisamos edificar um Brasil para os brasileiros, com autoridade moral, com dignidade e com nacionalidade.

Henrique Matthiesen

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