Literalmente, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) pedirá por água durante a sessão legislativa de hoje. Depois da reação dos vereadores em relação ao aumento na tarifa de água anunciada por ele, que pode chegar a 35%, o líder do Executivo solicitou uma reunião antes de definir o novo valor. Ele quer dialogar com os parlamentares com o objetivo de encontrar alternativas para que o impacto na tarifa não seja tão grande.
O índice apresentado pelo prefeito é quatro vezes maior que o da inflação acumulada nos últimos 12 meses, e menor que o de 57% reivindicado pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE).
Para Rodrigo, o aumento não irá interferir em nada em suas perspectivas políticas. Ele alega que o reajuste ficaria no valor da inflação caso não houvesse aumento nas contas de energia elétrica. O problema, para ele, é o valor de tal reajuste, que beira os 48%. Mas o argumento simplificado no reajuste da energia não convence parte dos vereadores, que analisam o pedido como reflexo também de anos de inércia em relação a providências que poderiam já ter sido tomadas, como em relação aos vazamentos na rede, por exemplo, que levam embora quase 50% da produção de água e, consequentemente, das receitas.
“A principal despesa do Departamento de Água e Esgoto (DAE) é com energia elétrica e a autarquia é a maior consumidora do município. A população está atenta e sabe que o aumento é uma decisão necessária para o equilíbrio das finanças bauruenses, embora seja desconfortável tomar essa decisão. Sem o reajuste, o DAE sequer terá dinheiro para pagar os funcionários”, defende Rodrigo.
Explicações
O presidente da Câmara Municipal, Faria Neto (PMDB), comenta que intercederá com a intenção de reduzir o aumento de 35%, valor que ele acredita ser puxado para o bolso do consumidor. Para Faria, o prefeito precisa pensar duas vezes antes de bater o martelo e, se bater, justificar o porquê. Entre as explicações, o vereador acredita ser fundamental deixar claro o quanto a energia influi sobre o valor da tarifa de água, para saber o seu real impacto no aumento.
“A participação na reunião é importante até mesmo para a argumentação e contestação. Mas é um direito dos vereadores o não comparecimento à reunião, se acharem melhor.”
‘Vai dominar’
Ao que tudo indica, o assunto deve monopolizar a sessão. Nas palavras do líder da oposição, Arildo Lima Júnior (PSDB), querem que a população pague pelo sucateamento do DAE e pela incompetência do governo. “O que estamos vendo é o governo mostrando a irresponsabilidade cometida em várias áreas”.
O vereador não participará da reunião com o prefeito e explica: “A tarifa é definida pelo Executivo. Ele faz uso dos técnicos. O que a Câmara precisa fazer é o debate. O prefeito está querendo repartir, de alguma forma, essa responsabilidade. Eu acho que ele não deve ir até a Câmara definir percentual, mas sim justificar aquilo que ele quer fazer. Não cabe a mim discutir percentual porque eu não sou técnico”, grifa.
Rádio Câmara FM
Também está na pauta da sessão da Câmara de hoje projetos de lei que se referem à produção de conteúdo e funcionamento da Rádio Câmara FM. Um dos projetos cria o cargo em comissão de chefe de serviço da rádio, uma espécie de gerente, que deve ser ocupado por um funcionário da TV Câmara. Outro visa a criação de cargo efetivo de locutor-operador, selecionado em concurso público.
Também será discutida a criação de gratificação de função a ser paga aos jornalistas, radialistas e técnicos efetivos da TV Câmara para a produção de conteúdos da TV, quando utilizados na Rádio. Ao menos oito funcionários poderão receber tal gratificação.
Em destaque na semana passada, o projeto de lei que aborda a informação de imóveis fechados com piscina para o controle e combate à proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, volta em debate, hoje. A iniciativa é dos vereadores Fernando Mantovani (PSDB) e Markinho da Diversidade (PMDB).
As imobiliárias devem avisar quais são os seus imóveis vazios com piscina para que os fiscais possam realizar o trabalho de vistoria.