Considerada talvez a maior crise econômica brasileira do Pós-Segunda Guerra, a depressão econômica de 2015 está bombardeando em cheio o sistema produtivo com perdas superiores à crise de 1999, incluída até então como a mais séria crise econômica. Naquele ano, a moeda brasileira sofreu um golpe muito duro de desvalorização, atingindo toda a cadeia produtiva em decorrência da crise asiática de 1997 e russa em 1998.
Historicamente, o Brasil é marcado por diversas crises econômicas: desde o período pré-colonial até hoje, foram diversas conjunturas originadas do rompimento de ciclos produtivos e transições de métodos de governos.
Essas tensões econômicas são sinais aparentes de um sistema econômico sem estrutura sólida como é o sistema brasileiro com essas constantes crises políticas. A atual crise se difere da de 1999, por ser uma conjuntura política, enquanto aquela foi uma crise técnica de transição de modelo de gestão do câmbio financeiro.
O câmbio flutuante e a economia globalizada deixaram países com poucas tradições na gestão de economias emergentes sem estruturas para gerir o crescimento e os riscos que as acompanha, somada com a corrupção e a incompetência administrativa, estão deixando em más situações uma economia com forte potencial de crescimento, como é a nossa. Nosso País é privilegiado pelas terras férteis e abundância de águas para sustentar vários sistemas industriais, o grande problema, é que a corrupção e a falta de seriedade na gestão pública colocam todos esses aspectos em riscos.
A crise agravada pela corrupção da petroleira brasileira derrubou não só os seguimentos agregados do setor, mas todo o sistema produtivo brasileiro. A indústria sucroenergética amarga prejuízos bilionários, pela falta de incentivos ao etanol brasileiro no mercado externo, até a cerveja dos finais de semana sente os reflexos da crise, grandes industrias cervejeiras estão tendo retenção de estoque e redução da fabricação. Além da tensão econômica estar afetando todos os setores produtivos da sociedade, enfraqueceu consequentemente o poder de compra da população e aumentando os índices de desemprego no País. Essa conjuntura está comprometendo até os templos religiosos na arrecadação de dízimos e ofertas. A maior organização religiosa neopentecostal brasileira, tem intensificado na TV, a propaganda para suas tradicionais "correntes" de prosperidade para sair da crise, que ameaça o funcionamento dos seus milhares de templos espalhados pelo Brasil. Só nos restam torcer para uma providência Divina ou uma solução do governo federal administrar com mais competência e eficiência o erário público.
O autor é especialista em sustentabilidade,
consultor-auditor da LogoData e colaborador do JC