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Demanda no PAI aumenta em 39%

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

No início do ano, a garçonete Rochelle Sato, 30 anos, levou sua filha Laysla, 10 anos, ao Pronto Atendimento Infantil (PAI). Com crise de bronquite, a menina tinha dificuldades para respirar. As duas aguardaram por cerca de cinco horas e Rochelle desistiu da espera antes de conseguir que a filha fosse examinada por um médico. Foi uma demora que muitos pacientes enfrentaram no primeiro quadrimestre deste ano, em Bauru.

 

Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, a demanda no PAI aumentou 39% no período, em comparação aos primeiros quatro meses do ano passado. A epidemia de dengue registrada em 2015 é apontada pelo Departamento de Urgência e Unidades de Pronto Atendimento (Duupa) como o principal motivo para a superlotação. 

 

“Os sintomas de uma gripe comum são facilmente confundidos com os da dengue, com o agravante de a criança não conseguir expressar direito o que está sentindo. Diante de uma epidemia, os pais ficam preocupados e, imediatamente, levam o filho para o pronto atendimento, algo que não ocorreria se não estivéssemos em uma situação de epidemia”, analisa o diretor do Duupa, Luiz Antônio Bertozo Sabbag.

 

Para se ter uma ideia, no ano passado inteiro, Bauru contabilizou 432 casos de dengue e nenhum óbito. Até agora, em 2015, já foram registrados 3.727 casos da doença, com quatro mortes. Só ontem, foram mais 214 registros confirmados (leia mais abaixo).

 

Em razão deste aumento na demanda neste início de ano, Rochelle acabou levando a filha Laysla para uma unidade básica de saúde, onde, finalmente, a menina foi medicada. Mãe de quatro filhos, a garçonete voltou ao PAI, na semana passada, devido ao quadro de saúde do caçula, Davi Henrique, 1 ano, que estava com tosse e coriza.

 

“Ele também vomitou de madrugada e achei melhor não ir para o trabalho para poder trazê-lo ao médico”, comenta a garçonete. 

 

Quando conversou com a reportagem, Rochelle já aguardava a consulta há mais de duas horas, com o filho pequeno no colo.

 

‘Visita frequente’

 

Por conta dos filhos, a garçonete conta ser uma “frequentadora assídua” do PAI e relata que a longa espera é recorrente na unidade. Sabbag explica que a solução definitiva para este problema só seria possível com a descentralização do serviço, medida já implantada em relação aos pacientes adultos a partir da criação de quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

 

O principal entrave, contudo, reside na dificuldade de admitir novos pediatras, especialidade considerada pouco atrativa pela classe médica. “Já fizemos vários concursos e não conseguimos contratar. São profissionais cada vez mais escassos, porque a pediatria consiste, basicamente, em consultas. Não demanda muitos procedimentos, que é o que remunera melhor o médico”, destaca.

 

Além disso, segundo Sabbag, a redução das taxas de fecundidade ao longo das últimas décadas diminuiu o universo de pacientes dos pediatras. Segundo a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), dentro de 15 anos, o número de idosos com mais de 65 anos deverá superar o da população entre zero e 14 anos em Bauru. “E, acompanhando este movimento, a tendência é que comece a haver mais geriatras do que pediatras”, completa o diretor.

 

Descentralização

 

Luiz Antônio Sabbag revela que, hoje, nem mesmo o PAI conta com número suficiente de profissionais para cobrir toda a escala de trabalho. “Temos 22 pediatras, mas o ideal seria termos mais quatro ou cinco. Principalmente no sábado à noite e domingo, temos de contar com médicos que se dispõem a cumprir plantões extras e só por isso as escalas não ficam incompletas”, observa. A falta de médicos, de acordo com ele, também impede a descentralização do serviço, um projeto da  administração municipal que foi abandonado devido à dificuldade em contratar mais profissionais desta especialidade. “Queríamos levar pediatras para todas as UPAs para poder desafogar o PAI, mas, infelizmente, não conseguimos”, completa. 

 

E tem mais sangue...

 

A Secretaria Municipal de Saúde informou, ontem, a confirmação de mais 214 casos autóctones de dengue. Assim sendo, Bauru totaliza, até este momento, em 2015, 3.727 registros da doença, sendo 3.663 autóctones e 64 importados. O mais preocupante é que foram quatro óbitos neste ano.

 

A Divisão de Vigilância Ambiental afirma que mantém os trabalhos de vistoria individual dos imóveis, orientação aos moradores e demais ações de combate à doença. “Entretanto, volta a insistir que hábitos mantidos pela população é que efetivamente colaborem para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue”. Para tanto, reforça algumas instruções: evitar vasos de plantas com pratos de plásticos; manter ralos tampados, bem como os vasos sanitários; manter as caixas d’água, piscinas limpas, tampadas ou desmontadas; descartar todo material inservível; e manter a limpeza das calhas antes de sair de casa por vários dias.

 

 

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