Regional

MP mantém crucifixo na Câmara

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

O símbolo de Cristo na cruz não causou polêmica só durante a última Parada do Orgulho LGBT, na Capital (leia mais abaixo). Em Agudos (13 quilômetros de Bauru), o Ministério Público (MP) arquivou uma representação formulada por Danilo Jovino, que defendia que a presença do crucifixo no Legislativo contraria a concepção laica do Estado.

No último dia 29, a procuradoria jurídica da Casa recebeu uma notificação do promotor Neander Antônio Sanches a respeito do arquivamento da representação de Jovino. O procedimento também foi remetido ao Conselho Superior do Ministério Público. No documento, Sanches defende que, embora controversa, a questão caminha de melhor forma pelo reconhecimento de que não há inconstitucionalidade na conduta do Legislativo.

 

O promotor descreve que, em 2007, pelo menos quatro representações foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) questionando a oposição de crucifixos em fóruns e tribunais do País. Por sua vez, o CNJ decidiu que a utilização de símbolos religiosos não viola o princípio da laicidade do Estado. Na ocasião, o conselheiro Oscar Argollo afirmou que a Constituição não proíbe o uso de símbolos religiosos nas dependências do Poder Judiciário.

 

Tradição

 

Sanches fez uso das palavras do conselheiro para argumentar que a exposição de tal símbolo não ofende a sociedade, ao contrário, garante interesses individuais culturalmente solidificados e amparados pela Constituição, como é o caso deste costume, que representa a tradição brasileira. Para o promotor, tal manifestação cultural não significa submissão ao poder clerical.

 

De acordo com o procurador jurídico da Câmara, Paulo Augusto Granchi, o crucifixo é uma tradição que está presente tanto no Legislativo como nos fóruns e tribunais de todo o País. Em Agudos, o símbolo nunca causou constrangimento a ninguém. Portanto, o crucifixo continuará exposto na Casa.

 

Na Capital

 

A simulação de uma crucificação durante a 19.ª Parada do Orgulho LGBT, em São Paulo, no último domingo, com uma transexual no papel de Cristo, causou polêmica e dividiu opiniões. Enquanto alguns criticaram a comparação e consideraram a manifestação apelativa, outros defenderam que a modelo Viviany Beleboni conseguiu transmitir a mensagem dos crimes que rondam a comunidade LGBT e de como a sociedade a crucifica. 

 

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