Tribuna do Leitor

Por onde caminha a humanidade


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Não se trata de para onde e sim por onde. Caminhamos por uma seara no mínimo indescritível, ou seja, aquela que, semeada, brotam sem que estejamos preparados para colheita. Plantamos uma democracia e não estamos sabendo colher seus frutos. Plantamos a liberdade e da mesma forma não estamos sabendo lidar com ela. Sonhamos nosso futuro, desprezamos nosso presente e nos esquecemos do passado, tipo, salve-se quem puder. Nos esquecemos, entretanto, que somos responsáveis por nossos atos. Ignorando-os, ultrapassamos a máxima de que "termina seu direito, onde começa o do próximo". Assistimos impávidos aos noticiários que nos bombardeiam com todos os tipos de informações. Boas ou más, fazem parte de nosso dia a dia. Quantos param para raciocinar a respeito e quantos se rebelam ou acatam as informações obtidas? Difícil mesurar.

Ocorre que, enquanto as notícias nos chegam, o tempo vai passando. Amanhã nos daremos conta de que o que deveria ser, já era, e o que foi, nos afetou de alguma forma, benévola ou maleficamente. Caminhamos, portanto, num universo em que ou nos prostamos diante do que nos aflige ou interrompemos esse processo, cerceados pelo bom senso do respeito ou da indignação. Por um lado, poderemos ser chamados de laicos, acomodados ou até mesmo reféns, por outro lado, de rebeldes, insurgentes e até mesmo radicais em sua nua e crua conotação.

Não me parece justo, nos meus 56 anos de vida, ter ainda que pensar pelo futuro dos jovens e sim os jovens pensando em nosso futuro. As oportunidades desaparecem com a idade... por que não dizer, a disposição também. Nesse caminha, falta alguma coisa. Deus? Religião? Família? Comprometimento? Cumplicidade? Ambições humanas? Despojamento? Nós mesmos? Tenho a impressão que já é chegada a hora de algum tipo de mudança, qual seja, social, política, ambiental, psíquica ou alguma outra que se fizer necessária, só não podemos ficar nesse estado letárgico onde nos são impostas maneiras, regras, atitudes e comportamentos que fogem da filosofia da "humanidade" nativa. A sobrevivência com toda sua exuberância divina.

Alfredo Hermenegildo de Oliveira Netto

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