Regional

De Promissão para a Copa do Mundo

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Mais de uma década de dedicação quase que exclusiva ao futebol levou Rafaela Travalão a realizar o sonho de representar a Seleção Brasileira na Copa do Mundo deste ano, que ocorre entre os dias 6 de junho e 5 de julho, no Canadá. Nascida e criada em Promissão (120 quilômetros de Bauru), Rafinha começou a jogar logo depois que deu os primeiros passos. Uma brincadeira de criança que, graças ao incentivo da família, tornou-se um meio de vida. 

 

 

Entre um treino e outro, a jogadora conversou com a reportagem do JC. Ela conta que tudo começou por paixão e influência do pai, Wanderley Roberto Travalão, que, na década de 70, jogou no Esporte Clube Noroeste e na Associação Atlética Ponte Preta. “Ele acabou desistindo de jogar para trabalhar, porque era muito difícil ganhar a vida com o futebol”, justifica a atleta. Agora, Travalão realiza o sonho através da filha.

 

Todavia, não foi fácil chegar até uma Copa do Mundo. Desde adolescente, Rafinha teve de superar a distância da família e aprender a se virar sozinha. Aos 14 anos, a jogadora se submeteu a um teste no Marília Atlético Clube (MAC). Depois, passou pelo Unisantana/Osasco, mas retornou para o clube que primeiro a acolheu. Entre 2006 e 2009, a atleta participou de quatro temporadas pelo Botucatu Futebol Clube e foi campeã paulista por três vezes. Em 2010, Rafinha representou o Foz Cataratas Futebol Clube e conquistou o Campeonato Paranaense.

 

E não acaba por aí. No ano seguinte, a jogadora passou a integrar o time do Santos Futebol Clube e foi campeã paulista. Entre os anos de 2012 e 2014, jogou pelo XV de Piracicaba. Em 2015, passou a representar a Ferroviária de Araraquara e venceu a Copa do Brasil, além do Campeonato Brasileiro. Depois, a atleta começou a jogar no Boston Breakers, nos EUA, e, neste ano, foi convocada para representar a Seleção Brasileira na Copa do Mundo.

 

Sorte?

 

Por sorte ou resultado de tamanha dedicação, Rafinha foi a última jogadora a ser chamada para o Mundial. A lista final já havia sido divulgada, mas, dois dias antes do embarque para o Canadá, a atacante foi convocada devido à lesão da zagueira Erika. Não é a primeira vez que a atleta representa o País. Em 2008, ela foi campeã Sul-Americana pela Seleção Brasileira Sub-20 e passou pelo time nos anos de 2013 e 2014.

 

De família humilde, a atacante faz questão de reforçar de onde veio e até onde quer chegar. “Para mim, sair de Promissão, que é a cidade que eu amo e faço questão de explicar para todo mundo onde fica. É muito gratificante poder levar longe o nome de Promissão. Agora, busco os títulos de campeã mundial e olímpica. É o sonho de todo atleta e não fujo dele”, finaliza a jogadora.

 

Vitórias

 

Depois de uma vitória convincente sobre a Coreia do Sul, no último dia 9, o Brasil superou a ansiedade da estreia e mostrou para que veio ao Canadá. Com dois gols, um de Formiga e outro de Marta, o time também contou com a participação de Rafinha, que é reserva, bem no final do jogo. No último sábado, enfrentou a Espanha e garantiu uma vaga nas oitavas de final. Entre um treino e outro, as jogadoras aproveitam para fazer um “selfie” junto a Marta, camisa 10, braçadeira e maior artilheira das Copas. Rafinha, claro, estava no meio da brincadeira.

 

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