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Boa ação aquece noite mais fria do ano

Ana Borges e Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Na madrugada mais fria do ano em Bauru, quando os termômetros do Centro de Meteorologia (IPMet) da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru marcaram extrema de 9,9 graus às 4h50, dois amigos trocaram horas de sono por andanças nas ruas para praticar a solidariedade.

 

A organizadora de festas Maria Inês Faneco e o estudante Adham Felipe Marin, que sempre desenvolvem ações solidárias na cidade, levaram cobertas, leite e bolachas para pessoas em situação de rua em alguns pontos do município. 

 

Ação!

 

Primeiro, os dois amigos passaram na estação ferroviária. “O vento lá é cortante. Os moradores da estação recebem janta e alimentos durante a noite. Só dois acordaram, tomaram leite e comeram algumas bolachas”, comenta Faneco.

 

Depois, eles foram ver se havia pessoas do lado de fora do albergue noturno.  “Como o frio estava muito grande, acho que recolheram todos”, completa. 

 

Do albergue, os dois seguiram para o Pronto-Socorro Central (PSC) e Pronto Atendimento Infantil (PAI). “Fomos bem recebidos. Levamos  cobertas também. Duas senhoras que estavam no PS infantil quase choraram, pois estavam de chinelos com as crianças no colo e o frio cortava”, detalha a voluntária.

 

Faneco contou que ficou feliz de ver que tinha menos gente na rua ontem do que de costume. “Graças a Deus.  O frio estava demais. Voltei para casa e entrei embaixo do chuveiro quente para poder esquentar o corpo e tentar dormir”.

 

E, para ajudar a amenizar o frio das madrugadas, ela dá a receita do leite quente. “Queimei o açúcar, como minha mãe fazia. Coloquei o leite e fui mexendo até o caramelo derreter e depois o chocolate em pó.  Todos os ingredientes estavam aqui em casa porque tinham sido doados”, afirma Maria Inês Faneco.

 

Albergue

 

Apesar de ter sido a madrugada mais fria do ano em Bauru, a procura de moradores de rua pelo albergue noturno não registrou aumento na madrugada de ontem, conforme o JC apurou . 

 

De acordo com a coordenadora do albergue, Francine Tamos, o local tem capacidade para abrigar até 50 pessoas, mas não chegou nem próximo de atingir a capacidade total. O frio é o principal motivo que faz com que as pessoas deixem as ruas e se dirijam ao albergue em busca de proteção.

 

“Muitos vêm para se refugiar dos dias frios e acabam ficando por aqui. Mesmo sendo um acolhimento provisório, nós ajudamos e fazemos de tudo para que a rua saia de dentro deles. Esse é o nosso objetivo, ressocializar, para os alberguistas fixos oferecemos o quarto com camas fixas. Eles mesmos cuidam do ambiente e ainda tem até televisão no quarto. Não é só dar abrigo, mas, com eles, trabalhamos valores, princípios, para que tenham um recomeço”.

 

Foi por causa de um dia frio em abril deste ano que o ex-morador de rua Jean Carlos Barbosa deixou as ruas após 12 anos. Ele vive atualmente no albergue onde luta para se livrar do vício das drogas e, no próximo, será encaminhado a uma clínica de recuperação de dependentes químicoa, na qual estava aguardando vaga. “Aqui é como se fosse minha família. Na rua, passei coisas muito ruins, poderia ter morrido de frio. Mas aqui me trataram muito bem e estão me ajudando a recomeçar”, diz.

 

Previsão do tempo

 

A queda da temperatura que ocasionou os 9,9 graus, segundo explica a meteorologista do IPMet Zildene Pedrosa, foi ocasionada por uma massa de ar frio, mas que já se deslocou para o oceano.

Para hoje, a previsão é de sol e temperaturas na casa entre os 13 e 26 graus. Nesta quinta-feira, a temperatura mínima deve subir para 15 graus e a máxima, para 28 graus. 

 

No final da tarde de amanhã, entretanto, uma frente fria vinda do Sul do País deve provocar pancadas de chuvas fracas e moderadas, o que deve derrubar novamente o registros dos termômetros na sexta-feira. A previsão é de 12 graus a mínima e de 22 graus a máxima.

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