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Gerencie as finanças do lar

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min



Todos nós sentimos na pele as consequências do péssimo desempenho econômico do Brasil, retratado nos principais indicadores econômicos: inflação elevada, queda do Produto Interno Bruto, baixa geração de emprego, elevação do desemprego, baixas vendas (em todos os setores), queda das margens de lucro e evidente queda na qualidade de vida. Mesmo considerando que os problemas econômicos afetam o mercado como um todo, é evidente que para algumas famílias o ônus da crise é menor ou maior dependendo da situação financeira e patrimonial vigente.
Infelizmente, as famílias de menor renda é que estão mais abaladas. O desemprego está rondando seus familiares (se é que já não ocorreu). A duras penas conseguiram ascender socialmente. Nasceram ou viviam em condições precárias, sendo classificados como classes D e E, e nos últimos anos conseguiram melhor renda e natural melhoria nas condições gerais de vida. Fortaleceram a chamada classe média brasileira. Hoje estão sendo obrigadas a dar um passo para trás, o que é lamentável. Mesmo aqueles que possuíam mais posses estão passando por apertos.
Considerando que os problemas econômicos serão equacionados muito lentamente, pois estão sendo potencializados com os impasses políticos, não pode haver descuido das finanças do lar. É a hora de gerenciamento. O primeiro passo é admitir que o comportamento financeiro terá que mudar. É o momento de mais seletividade nos gastos. Focar no essencial, naquilo que efetivamente é extremamente necessário e não se render as gastos considerados supérfluos. Entendo que outro passo importante é reunir a família e abrir o jogo. Respeitando a idade de cada filho, explicar as dificuldades enfrentadas e pedir cumplicidade neste momento. Isso mesmo, cumplicidade. Se todos economizarem, fica muito mais fácil enfrentar momentos difíceis. Na outra ponta, mesmo com tudo que vem ocorrendo na economia, sempre há reservas financeiras. São famílias capitalizadas, que fizeram a lição de casa nestes últimos anos e geraram excedentes financeiros.
Para estes o rendimento de juros está muito convidativo. Os chamados bens reais, como imóveis, estão em queda (pode ser bom negócio comprar com bom desconto), enquanto os juros no mercado financeiro em elevação. Para tomar à decisão no tocante as aplicações financeiras é preciso analisar o horizonte da necessidade em utilizar os recursos. A isso denominamos de liquidez. Se precisa sempre ter recursos disponíveis não aplique o dinheiro em modalidades que exigem carência. Em contrapartida terá que se contentar com remuneração um pouco menor. Tenha um olhar sobre o rendimento da caderneta de poupança. Ela sequer vem acompanhando a inflação. LCA, LCI, CDB e Fundos de Investimentos prometem rendimentos melhores. Nestes casos analise o rendimento líquido e compare com a caderneta de poupança. Em algumas destas modalidades há incidência de imposto de renda sobre o ganho de capital e taxa de administração (no caso de fundos). O LCA e o LCI ainda não estão sendo taxados (o governo estuda introduzir imposto de renda). Busca-se na prática rendimentos entre 0,7% e 0,9%, frente a 0,6% a 0,62% da caderneta de poupança.
Com finanças curtas ou com excedentes, é fundamental ficar atento ao comportamento do mercado. Não é hora de comprometer renda no longo prazo. Também é possível conseguir bons negócios, à medida que o aperto está em todos os setores. Uma coisa é certa: em tempos bicudos ou não o gerenciamento das finanças do lar é fundamental. Exercite isso.

O autor é economista e articulista do JC

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