Geral

Nível do chorume depende de sorte

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

A Emdurb vai publicar edital de licitação neste sábado para contratar empresa que possa retirar da lagoa de chorume do aterro sanitário de Bauru o material líquido derivado do processo de decomposição do lixo orgânico. Pelas próximas duas semanas, a administração contará apenas com a sorte para que o produto não transborde e contamine o solo e o lençol freático.

 

Como o JC revelou na edição de ontem, o contrato com a Monte Azul, que executa atualmente esse serviço, está próximo do fim. Até a última quarta-feira, o compromisso jurídico só contemplava a remoção de mais 60 metros cúbicos, sendo que a demanda diária é de 40 metros cúbicos, já que o nível da lagoa está próximo do limite.

 

Ontem, só foram retirados 20 metros cúbicos, com o intuito de tentar “prolongar” a vigência das obrigações da empresa, que, no ritmo anterior, findaria hoje. Dificilmente, porém, será possível estendê-la até a próxima segunda-feira.

 

Depois disso, não há outra saída senão esperar a conclusão da licitação. O pregão presencial para que as possíveis concorrentes apresentem os preços para executar o serviço será marcado apenas para a outra segunda-feira, no dia 29 de junho. “Temos que dar o prazo mínimo de oito dias após a publicação do edital”, justifica o presidente da Emdurb, Nico Mondelli.

 

Isso quer dizer que, se tudo der certo e nenhuma empresa questionar o edital ou o resultado da licitação, a remoção de chorume da lagoa não será retomada pelo menos durante os próximos 15 dias.

 

Mário Martins, responsável pelo aterro sanitário, disse anteontem ao JC que, diante do nível do reservatório, a retirada do material diariamente é essencial. Nico, por sua vez, acredita ser possível segurar. 

 

“Acho que a gente vai sair dessa. Vai dar certo”, afirma ele, contando também com a estabilidade do tempo, já que a chuva pode elevar o leito da lagoa. 

 

MAIS DEMANDA

 

Segundo a Emdurb, todo o volume de chorume previsto para ser recolhido da lagoa em um ano já foi completamente retirado do reservatório em menos de seis meses graças a melhoras operacionais. Foram instalados mais drenos que, por sua vez, levaram ao aumento da quantidade de material canalizado ao reservatório, o que contribui para a manutenção da estabilidade do aterro.

 

Ao longo de 2014, o volume médio de chorume retirado era de 200 metros cúbicos ao mês. Em abril deste ano, foram 520 metros cúbicos. Em maio, 740. “Foi algo que fugiu da nossa previsão e do nosso planejamento”, voltou a afirmar Nico Mondelli, nessa quinta-feira.

 

TEMOR

 

Apesar do aparente otimismo, Nico Mondelli admite o temor de que, mediante a possível transbordamento de chorume da lagoa, a Cetesb venha a lacrar o aterro sanitário, cujo plano de encerramento foi assinado em 2011 e só opera hoje graças a mais um prazo de quatro meses concedido pelo órgão estadual, enquanto o município toma as providências para licenciar áreas anexas que possam vir a receber o lixo doméstico produzido em Bauru.

 

“Essa é a nossa preocupação. Por isso, vamos monitorar diariamente, como a gente já vem fazendo”, diz.

 

O presidente da Emdurb alerta, no entanto, que não existem manobras possíveis para reduzir o volume de chorume canalizado à lagoa.

 

'Não pode acontecer'

 

Secretária do Meio Ambiente, Lázara Gazzetta frisou ontem a necessidade de medidas, mesmo que em caráter de urgência, que impeçam o vazamento da lagoa de chorume por excesso de volume de resíduos líquidos do lixo orgânico. “Não pode acontecer. Se o contrato está vencido, tem que fazer outro emergencial. O material da lagoa é altamente prejudicial ao solo. Se não fosse, não teria porque existir uma lagoa. Espero que a Emdurb tome providências. Ela opera o aterro e tem responsabilidades”, critica.

 

Lázara admitiu ainda que não havia sido comunicada oficialmente o fim iminente do contrato para a retirada de chorume do reservatório do aterro. “Tinha ouvido falar sobre o problema, mas não pelas vias da presidência [Nico Mondelli]”.

 

Cetesb e vereadores vão hoje ao aterro 

 

Diante do risco de a lagoa de chorume transbordar, o diretor regional da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Alcides Tadeu Braga, afirmou que técnicos do órgão farão uma vistoria no local nesta sexta-feira.

 

“A gente vai olhar para ver o que está acontecendo, pois não sabe da gravidade da situação”, pontuou, observando que o município já enfrenta problemas com o aterro sanitário.

 

O assunto também repercutiu fortemente com os vereadores. Por esse motivo, a Comissão de Obras da Câmara Municipal marcou, também para manhã de hoje, uma visita à lagoa de chorume, na companhia do presidente da Emdurb, Nico Mondelli.

 

“O que menos poderia acontecer, em meio a um processo de licenciamento de uma área anexa para receber o lixo de Bauru, é mais um problema relacionado ao aterro”, disse ontem o presidente do grupo, Sandro Bussola.

 

Comentários

Comentários