Com o intuito de reagir contra quadrilhas especializadas em explosão de caixas eletrônicos ou, até mesmo, grupos responsáveis pelo tráfico de drogas, o 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.ºBPM-I) adquiriu 13 Fuzis de Assalto IA2 destinados à Força Tática, em Bauru, e às companhias de Pirajuí, Pederneiras e Lençóis Paulista. Os policiais estão sendo capacitados no Centro de Treinamento e Preservação da Vida de Barra Bonita.
De acordo com o 1.º tenente Bruno Mandaliti Scarp, a arma é fruto de estudos do Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e da Indústria de Metal Bélico do Brasil (Imbel).
Em 2009, o “mini fuzil”, como é conhecido, foi criado para substituir o “sete meia dois”, ou seja, o Fuzil Automático Leve (Fal), utilizado pela polícia até então. No ano passado, o batalhão adquiriu armas e já deu início à capacitação dos policiais.
Mandaliti explica que o treinamento dura três dias e os policiais são divididos em turmas de 20 integrantes.
Desde 2014, aproximadamente 60 militares se submeteram ao curso, que conta com aulas teóricas e práticas.
Nesta etapa, os policiais utilizam o Método Giraldi, que consiste em simulações de ações defensivas de preservação da vida.
Aparatos
Scarp pontua que o Fuzil de Assalto IA2 conta com diversos aparatos que o tornam mais eficiente em relação ao Fuzil Automático Leve (Fal).
Um dos itens corresponde a uma lanterna tática com acionamento remoto, que só fica acesa caso o policial pressione um botão, e padrão, que permanece acesa após o militar pressionar o botão uma única vez.
Outro aparato do “mini fuzil” diz respeito aos trilhos de adaptação, onde é possível acoplar luneta, lanterna e tripé. A arma também conta com trava de segurança, tiro intermitente (um por vez) e tiro automático (dispara todas as munições).
Além disso, o fuzil possui trava para controlar a saída de cartuchos e coronha retrátil, que permite o uso da arma em ambientes de difícil acesso, uma vez que o equipamento fica menor.
Com armamento, um maior poderio bélico
O policial sempre estará acima do bandido por causa sua capacidade operacional e treinamento, mas a aquisição de fuzis mais potentes, por exemplo, dá a ele condições de agir em igualdade de armamento contra o crime organizado. A frase é do coronel Bendito Roberto Meira, ex-comandante Geral da Polícia Militar no Estado de São Paulo, responsável pela aquisição dos fuzis em questão, uma de suas últimas ações a frente do comando da PM.
“Antigamente, os policiais podiam utilizar AS armas apreendidas em ocorrência, mas hoje a legislação proíbe isso”, comenta o coronel Meira, hoje oficial da reserva. “Com bons armamentos, a polícia consegue enfrentar o crime de maneira equilibrada e com superioridade”, completa.
Meira lembra, contudo, que os fuzis 566 serão usados somente pela Força Tática da PM, e em casos excepcionais. “Vez ou outra temos bandidos agem fortemente armados, mas acontece, principalmente, nos roubos a bancos. A quadrilha que agiu explodindo caixas de supermercados em Bauru, por exemplo, usava grosso calibre”, comenta o coronel.
Meira ressalta ainda o poder bélico do armamento adquirido. “Ele tem precisão de dois quilômetros no tiro, é mais leve e o projétil é mais fino que o do fuzil 762”, compara. O que garante ao policial, além do transporte mais prático, o fácil manuseio do equipamento.