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Em cada duas casas em Bauru, uma mantém criadouro do Aedes aegypti

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Mesmo com a chegada do frio, a epidemia de dengue em Bauru parece não dar um alívio. Só ontem, foram confirmados 377 casos da doença, totalizando 4.542 pessoas infectadas e quatro mortes em 2015. As críticas ao poder público são presentes, mas a população também precisa de mais conscientização. Conforme estatística apresentada pela Vigilância Sanitária, há uma casa com criadouros do Aedes aegypti a cada duas residências visitadas

 

Segundo o técnico de saúde e agente de saneamento Roldão Antonio Puci Neto, 50% dos imóveis visitados na cidade ainda têm focos da doença. O fato foi constatado durante vistorias denominadas “Execução de Controle Mecânico no Imóvel”, realizadas em 57.924 imóveis de Bauru, entre janeiro e maio deste ano. Deste total, 27.299 tinham algum criadouro no momento da inspeção e, 1.469, a presença de larvas do mosquito, ou seja, 2,5% dos locais visitados pelas equipes. 

 

Roldão explica que a manutenção dos criadouros se dá durante o ano inteiro. Para ele, a problemática é reflexo de hábitos da própria população. “Só o conhecimento adequado do que tem que fazer para eliminar o foco da dengue não basta. Precisa ter atitude no dia a dia, tais como não manter nenhum tipo de criadouro na residência”, critica. 

 

A constatação preocupante se estende por todo município, porém, cada bairro tem a sua realidade. “Não existe uma área com mais criadouros da dengue e, sim, criadouros diferenciados”. Ele exemplifica citando algumas peculiaridades de cada região. “No Bela Vista, onde as casas são mais antigas, há problemas estruturais dos imóveis. Tem bastante caixa d’ água feita de alvenaria e, muitas vezes, acaba quebrando a tampa e o morador não percebe para providenciar o reparo”, pontua. 

 

Já na zona sul, mais especificamente nos Altos da Cidade, a equipe de Vigilância Sanitária encontrou muitos focos em bromélias e, principalmente, em piscinas. “Agora, no inverno, as pessoas acabam não utilizando as piscinas e diminuem o tratamento adequado com esses recipientes. Com as chuvas, há o acúmulo de água e o mosquito aproveita todo esse espaço para procriar”, alerta. 

 

Problemas com vasos e pratos para plantas são mais característicos da Vila Cardia e Jardim Redentor. “O desafio, nesses locais, são com materiais inservíveis como um sapato velho ou panela que são deixados no quintal, além de latas e garrafas pets. Vale ressaltar, porém, que nós encontramos esses materiais, de certa forma, pela cidade inteira”. 

 

Recicláveis  

 

Roldão pontua que, nas zonas mais periféricas de Bauru, onde há maior concentração de pessoas que vivem da venda de recicláveis, o dilema é o mesmo. “Nesse caso, a gente acaba enfrentando problemas também, nem tanto pelo material em si, mas pela forma com que o morador armazena esses materiais no quintal, muitas vezes a céu aberto”, critica. 

 

O agente de saneamento é duro nas críticas sobre os hábitos de cada um no ambiente em que vive. “Não é a aplicação de inseticidas que vai resolver o problema, pois, se ainda houver criadouros na residência, a nebulização não terá efeito nenhum. A única forma de controlar a infestação da dengue é através da ação de cada morador dentro da sua casa”. 

 

Entretanto, o município afirma que vem fazendo sua parte com os trabalhos de vistoria individual dos imóveis de nebulização e de orientação aos moradores e demais ações de combate à doença.

 

Terrenos

 

Nem mesmo a epidemia de dengue na cidade parece ser capaz de mudar os hábitos dos cidadãos. O problema de focos em imóveis se estende a terrenos baldios. A reportagem do JC percorreu ontem a rua Amadeu Cavalieri, na Quinta da Bela Olinda, e flagrou lixo espalhado por áreas de mata. 

 

Morador das imediações, o aposentado Ataíde Munhoz, 64 anos, afirma que a cena se repete com frequência no local. “É preocupante diante do efeito negativo da dengue”, opina. 

 

O pedreiro Antônio Carlos Pereira de Souza, 50 anos, tem família morando no bairro e critica a atitude da população. “O ambiente está horrível e a culpa é a população, que precisa ter mais cuidado e preservar os terrenos e ruas limpos”. 

 

Época de eliminar

 

De acordo com o técnico de saúde e agente de saneamento Roldão Antonio Puci Neto, o trabalho de eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti é mais eficaz quando feito nesta época do ano. 

 

“Com a chegada do frio, a infestação diminui, por questões biológicas do próprio mosquito, que não consegue resistir a temperaturas baixas. Os que sobrevivem, entretanto, depositam os ovos nos criadouros e esse ovo tem a resistência de um ano, mais especificamente quando chega o verão. Por conta das chuvas nessa época, ocorre a eclosão de todos esses mosquitos”, explica. 

 

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