O volume de importações e exportações sofreu queda nos primeiros cinco meses do ano, em Bauru, repetindo o fenômeno registrado no mesmo período de 2009, quando a economia atravessava um momento delicado devido à crise financeira mundial desencadeada no final de 2008. A alta do dólar e a retração do mercado interno são algumas das explicações para o baixo desempenho atual, que gerou aumento de custo de alguns produtos para o consumidor.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento Industrial brasileiro, Bauru exportou, entre janeiro e maio, US$ 98,053 milhões, 11,9% menos do que os US$ 111,301 milhões remetidos ao Exterior no mesmo período de 2014.
Já as importações diminuíram 16,2%, com resultado de US$ 31,742 milhões nos primeiros cinco meses de 2015 e US$ 37,896 milhões entre janeiro e maio do ano passado. A queda simultânea de exportações e importações em um mesmo período não era registrada desde 2009, ano em que o mundo atravessava uma profunda crise.
Segundo Gerson Mori, coordenador do Grupo de Comércio Exterior da diretoria regional de Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), as importações foram derrubadas neste ano, principalmente, pela valorização do dólar frente ao real, o que aumenta o custo dos insumos adquiridos pelos industriais de empresas estrangeiras. “Uma parcela destas indústrias, embora pequena, acaba substituindo estes produtos por nacionais equivalentes, mas que também acabam elevando seus preços. De qualquer forma, este aumento é repassado para o consumidor final”, explica.
Como efeito cascata, a elevação de preços - aliada ao alto endividamento da população e ao aumento da taxa de juros – provocou retração do consumo interno. “Com isso, muitas indústrias pararam de produzir e estão apenas com estoques. Algumas não compraram mais nada de março para cá”, frisa.
Exportações
Ainda que a alta do dólar pudesse, em tese, favorecer as exportações, as remessas também caíram, de acordo com Mori, devido à dificuldade das empresas em investir em novos mercados. Entre os principais produtos exportados por Bauru estão barras de aço e ferro, máquinas e equipamentos, baterias automotivas, produtos alimentícios e de papelaria e carne bovina.
“Há toda uma adaptação necessária para atender mercados específicos que, neste momento da economia, não é possível para a grande maioria dos empresários”, comenta o coordenador.
Além disso, os compradores estrangeiros, cientes sobre o momento da economia brasileira, possuem maiores condições de barganhar por descontos. “Eles sabem que o fornecedor precisa vender e, portanto, as possibilidades de negociar são maiores”.
Para o economista Mauro Gallo, a indústria deverá continuar registrando resultados ruins ao menos até o final deste ano, com expectativa de um segundo semestre ainda pior do que o primeiro, já que o governo está focado em reduzir gastos e em buscar equilíbrio de caixa. “A partir de 2016, a economia não vai apresentar grande recuperação, mas deve melhorar um pouco em relação a 2015. Mas, uma melhora efetiva só deve vir a partir de 2017”, completa.