Polícia

"Ladrão da moto" deixou 11 vítimas

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Antônio Augusto Caserta, um motoboy de 30 anos, foi preso em flagrante em abril deste ano após tentar roubar celulares de duas estudantes de 18 anos no Santa Edwirges. Agora, a polícia descobriu que ele havia feito outras nove vítimas em Bauru. A constatação é da Polícia Civil, que, em trabalho de inteligência, conseguiu ligar Caserta, mais conhecido como “Ladrão da moto”, a outros oito crimes cometidos desde janeiro deste ano em Bauru.

 

O que mais chama a atenção é o modo como ele praticava os crimes, quase sempre cometidos na região do bairro Bela Vista – em entradas e saídas de escolas e feiras livres - e vitimando estudantes, que eram abordados caminhando pela rua enquanto teclavam no celular. 

 

Com a identificação, a Polícia Civil espera que Caserta, preso desde o dia 27 de abril no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru, tenha a pena triplicada pela continuidade delitiva quando for submetido ao julgamento pela Justiça.

 

Perfil do crime

 

Responsável pelo inquérito policial, que será finalizado com pedido de prisão preventiva do acusado, o delegado Kleber Granja conta que o trabalho de inteligência sobre o passado de Caserta teve início assim que sua prisão ocorreu, após flagrante feito pela Polícia Militar.

 

“Temos um programa da própria DIG (Delegacia de Investigações Gerais) que tem uma espécie de filtro dos roubos que acontecem na cidade. Registramos detalhes como o local, nome e característica das vítimas até o modus operandi. E o Caserta agia sempre com uso de uma Biz preta e vitimava estudantes”, comenta Kleber.

 

“Apesar de ele sempre ter simulado estar armado, eram abordagens violentas. Dois adolescentes de 14 anos ainda estão traumatizados com o roubo”, acrescenta.

 

Nas últimas semanas, as vítimas estiveram na delegacia e reconheceram Caserta como autor em série dos roubos.

 

Pena mais dura

 

O trabalho de investigação que teve como principal objetivo fazer com que o acusado seja condenado não pela tentativa de roubo em que foi preso, mas pelos crimes que consumou e pela continuidade delitiva.

 

“Um roubo simples possui pena de quatro a dez anos de prisão. Mas, se houver continuidade delitiva, ou seja, se o autor praticou outros crimes parecidos em curto espaço de tempo, local geográfico e com mesmo modus operandi, por exemplo, a pena pode ser triplicada”, explica o delegado, que aproveita e faz um alerta à população sobre os riscos de ostentar equipamentos, como celulares.

 

Se condenado pelos oito roubos e pela tentativa de roubo, Caserta pode cumprir de 12 até 30 anos de prisão.

 

Histórico dos crimes

 

Além do crime cometido no dia 27 de abril, que vitimou as duas estudantes no Parque Santa Edwirges, bairro em que o assaltante reside, outras nove pessoas reconheceram Caserta desde o início deste ano.

 

O primeiro caso ocorreu em 10 de janeiro, às 6h, na rua Alto Acre, durante  uma feira livre, contra um rapaz de 21 anos. Na ocasião, R$ 80,00 em dinheiro foram levados.

 

A segunda ocorrência foi registrada em 13 de fevereiro às 9h10, na alameda das Azaleas, na Vila Formosa. Um homem de 32 anos perdeu R$ 22,00 em dinheiro.

 

O terceiro roubo foi em 23 de março, às 18h30, na quadra 5 da rua Dona Marieta Franca, contra um adolescente de 16 anos, que teve seu Iphone 5S roubado.

 

O quarto assalto ocorreu no dia 10 de abril, na quadra 4 da rua Afonso Simoneti, Vila Martha. A vítima, de 17 anos, também teve seu celular Iphone 5S levado.

 

Cinco dias depois, por volta das 12h, uma estudante de 17 anos foi abordada na quadra 11 da rua Santo Antônio, no Bela Vista, e também teve seu celular roubado.

 

A sexta ocorrência foi na quadra 5 da rua Angelo Colacino, também no Bela Vista, quando dois adolescentes de 14 anos tiveram seus celulares levados. 

 

O sétimo e o oitavo roubo foram registrados no mesmo dia, 25 de abril. Caserta teria abordado, às 18h, um adolescente, de 14 anos, na rua Sargento José dos Santos, no Jardim Prudência. Na ocasião, o celular do garoto, um Galaxy S4, foi levado. Poucas horas depois, uma garota de 14 anos, que caminhava pela quadra 5 da Maurílio Luis Vieira, também foi rendida pelo homem, que fugiu com o celular.

 

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