Tribuna do Leitor

Quem vai chorar por elas?


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Recentemente, Bauru foi palco de um ato de discriminação aliado à falta de qualificação - de alguns funcionários da área da Saúde pública - para atender pessoas "transgêneros". Em 1997 e 2011 foram registrados na cidade casos de crimes brutais contra pessoas transgêneros e travestis.
No caso de discriminação, a vítima recebeu a ajuda de pessoas solidárias, e por ser uma pessoa esclarecida sobre seus direitos civis, não deixou de fazer denúncia pública do fato. A divulgação foi válida para conscientizar a sociedade de que os transgêneros existem, estão aqui, ali e também precisam ser respeitados. Muitas foram as manifestações logo após a divulgação do caso, mas poucos se dedicaram a conduzir a situação para que fosse de conhecimento de todos. Outros tentaram utilizar o caso apenas como "palanque".
Segundo informações (SIC), na cidade de Bauru "há" uma lei que "defende" essa população, mas redigida sem a devida vivência da real situação por que passam os transgêneros, sem ouvir as revindicações e as necessidades dessa parcela da população. Ao analisar a tal lei percebe-se que ela é frágil. Bom, foi mais fácil entrar em um escritório e escrever ao invés de sair em uma noite fria e gélida para conversar com aquelas que estão na rua em busca do seu sustento diário. Lamentável, pois o "papel" aceita qualquer coisa, não é mesmo? O que faltam são ações concretas para que essa lei seja cumprida. Poucos homossexuais e transexuais denunciam casos de preconceito. 
Poucos "trans" hoje têm a segurança de um bom emprego, o respeito e até mesmo de ser chamada(o) pelo seu nome social. É uma parcela mínima. A maioria ainda necessita se esconder em becos ou avenidas para se manter. Os mais exaltados irão me questionar: "Estão na rua por escolha ou porque querem." Eu digo ao caro leitor que não. Não estão ali por escolha, mas sim pela realidade cruel a que está exposto o público transexual. Não existem políticas públicas eficientes e objetivas para essa população. Militante há anos das causas LGBT, conheci de perto como é o dia a dia e o "tabu" para conseguir modificar essa realidade. Mais uma vez é lamentável.
Quando se divulgam estatísticas de crimes contra mulheres, negros, índios, não se questiona se foram ou não crimes motivados pelo ódio, sem falar na subnotificação dos "homocídios". Nos crimes contra gays e travestis e transexuais, mesmo quando há suspeita do envolvimento com drogas e prostituição, a vulnerabilidade dos homossexuais, transexuais e a homofobia cultural e institucional justificam sua qualificação como crimes de ódio. É a homofobia que marginaliza os gays. A certeza da impunidade e o estereótipo do gay como fraco e indefeso levam a situações de ódio e crimes. Ainda bem que não foi um crime, mas e se tivesse sido? Então, eu pergunto: "Quem vai chorar por elas/eles?"

Marcos Augusto de Freitas

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