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Sem radar e iluminação, novo acesso ao Nobuji oferece riscos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Cerca de 500 metros de pavimentação nova, em declive acentuado, seguidos de uma curva, sem dispor de equipamento redutor de velocidade ou iluminação. Com esta combinação de características, o acesso que interligou os bairros Jardim Flórida e Núcleo Habitacional Nobuji Nagasawa (Bauru 2000) dentro das obras de transposição do Córrego Barreirinho se tornou o cenário propício para motoristas se arriscarem em rachas e excederem o limite de velocidade. 

 

Inaugurado há apenas dois meses, o trecho foi palco de uma tragédia na noite da última sexta-feira. Na ocasião, o motociclista André Marques dos Santos, 24 anos, morreu ao tentar fazer a curva existente no local, após perder o controle da moto Bandit Suzuki (leia mais ao lado).

 

Inconformados, moradores cobram providências da prefeitura. “Se um motorista descer na ‘banguela’, atinge rapidamente 100 quilômetros por hora. A descida é acentuada e não tem nada ali, uma lombada, um radar, nada”, reclama Milton Sardin, preocupado com a segurança da mãe e da irmã, moradoras do Jardim Flórida.

 

Residente na quadra 4 da rua Nicolau Ruiz, onde o acidente aconteceu, Creuza Gonçalves diz que, desde que o acesso foi inaugurado, nunca mais conseguiu varrer a sarjeta em frente à sua casa com tranquilidade. “Um dia estava varrendo e o carro passou voando, a poucos centímetros de distância da calçada. Tenho medo até de sair na rua”.

 

Segundo Sardin, ao menos quatro acidentes com menor gravidade já haviam sido registrados no local, antes da ocorrência do último fim de semana. “E mais vidas poderão ser perdidas se nenhuma medida urgente for tomada”, completa, reclamando que a permissão de mão dupla de direção no trecho em curva torna os riscos ainda maiores.

 

Pista de corrida?

 

Secretário Municipal de Obras, Sidnei Rodrigues relata que já recebeu denúncias de que motoristas vêm disputando rachas no local. Assim como os moradores, ele também acredita que providências deverão ser adotadas para que motoristas respeitem o limite de velocidade, estabelecido em 50 quilômetros por hora.

 

“O desrespeito às normas de trânsito é frequente. Elaboramos o projeto de iluminação, que foi aprovado pela CPFL e os recursos para a execução da obra, de mais de R$ 50 mil, já foram repassados para a empresa na semana passada”, assinala. 

 

Segundo a assessoria de imprensa da concessionária, a disposição de postes e do cabeamento deverá ser iniciada no prazo máximo de 45 dias e concluído em 60 dias. Ainda de acordo com a CPFL, caberá à administração municipal instalar os braços de iluminação.

 

Em relação à implantação de redutores de velocidade, a Emdurb informou que estudos já foram iniciados para definir se há necessidade de implantação de radar. De acordo com o secretário de Obras, a construção de lombada em descida acentuada como aquela não é autorizada pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

 

‘Ele pretendia vender a moto’, conta a esposa de jovem morto em acidente

 

Apaixonado por carros e motos, André Marques dos Santos, 24 anos, estava há apenas três meses com a Bandit Suzuki 600 cilindradas que dirigia quando perdeu a vida. Segundo a esposa Tatiane Vargas Marques dos Santos, 19 anos, ele estava reformando a moto porque pretendia vendê-la para comprar um carro.

 

No dia do acidente, André havia acabado de sair da casa de um amigo, no Bauru 2000, e seguia em direção à residência de outro conhecido. Pelos estragos provocados no muro e pelas imagens gravadas pela câmera de segurança de uma das residências, há suspeita de que o jovem estivesse trafegando a mais de 100 quilômetros por hora.

 

Segundo familiares, ele sofreu traumatismo torácico e hemorragia interna. Com o impacto, André chegou a perder os dedos da mão direita. O jovem foi socorrido com vida, mas morreu ao dar entrada no PS Central. Na tarde de sábado, ele foi sepultado no Cemitério Cristo Rei.

 

Parentes contam que André estava desempregado há cerca de dois meses, quando passou a morar com a esposa na casa da mãe, na Vila Santa Luzia, para livrar-se das despesas com aluguel. “Na sexta-feira, horas antes do acidente, ele estava entregando currículos. Tinha planos de comprar um terreno, ter filhos. Estava preocupado por estar sem trabalho”, comenta a esposa, com quem André estava casado há um ano e meio.

 

O jovem era o filho caçula de dois irmãos e havia completado 24 anos no último dia 10. “A família está despedaçada, ainda sem acreditar. Ele era um menino muito correto, que não dava trabalho para ninguém. Mesmo diante das dificuldades, nunca desanimava. Tinha uma vida inteira pela frente”, lamenta a tia Lucy Cardoso, 51 anos. 

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