Dia 15 de junho o STF ? Supremo Tribunal Federal realizou audiência pública sobre o ensino religioso nas escolas públicas. A respeito deste tema penso que religião deve ser ensinada em sala de aula no seu contexto histórico, a fim de que os alunos entendam sua importância de um modo geral. Religião deve ficar sob a responsabilidade dos pais e não da escola.
Creio que mais importante do que ensinar religião é ministrar nas escolas uma disciplina como Biotanatologia, a ciência que estuda vida e morte e suas implicações em nosso cotidiano. Nas observações que tenho feito ao longo dos anos, gerando inclusive um livro - Evite a rota do suicídio - percebi que somos deseducados para a morte, que a enxergamos de forma fúnebre, fantasmagórica, horrenda e não como um evento que deve ser encarado como natural.
A ignorância do destino humano após uma existência na Terra é mais prejudicial do que se pode imaginar, influindo sobremaneira na qualidade de vida das pessoas. Quem passa por perda na família ou enfrenta uma dificuldade com a saúde, por conta da deseducação do tema morte, em algumas ocasiões, chega a desenvolver um pânico extremo da senhora da foice. Esse indivíduo, não raro, desemboca em consultórios psiquiátricos e tome-lhe remédios para anestesiá-lo do pavor deste morrer tão absurdo.
E este pavor da morte é transmitido de geração para geração produzindo indivíduos ansiosos por viver sem cogitar do amanhã, haja vista que morrerão um dia, então, devem aproveitar, afinal, a morte é o fim de tudo. E, infelizmente, aproveitam de forma equivocada porque cresceram com uma visão superficial da relação entre morte e vida. Querem tudo ao mesmo tempo, claro, a vida é curta. Querem todos os parceiros do mundo, claro, a vida é curta. Querem a felicidade sem plantar algo de bom antes, claro, a vida é curta.
Uma disciplina como Biotanatologia ensinada nos bancos escolares por gente competente pode, obviamente, auxiliar na criação de seres saudáveis, conscientes do amanhã e mais maduros porque sabem ser morte e vida faces de uma mesma moeda. Aliás, caro leitor, tenho uma notícia para dar-lhe: morrerás um dia. Mas... Não desanime, voltarás a viver tantas vezes necessárias para teu aperfeiçoamento como ser humano, pois esta é a lei...
O autor é colaborador de Opinião