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Por falar em idosos...

Valderez de Mello
| Tempo de leitura: 2 min


Num país violento, acéfalo e desgovernado, onde mulheres são brutalmente agredidas, o menor de idade recebe passe livre para ser enaltecido por ser criminoso e o crime de aborto é enaltecido, o que dizer quanto às agressões aos idosos? Num país onde os aposentados são reféns do sistema, ludibriados e tratados tais e quais mendigos, sem respeito, sem dignidade, sequer compaixão? Num país onde a velhice é manipulada com ironia e enganação, onde a longevidade prima pelo desengano e solidão em lugar da proteção e carinho, aonde resta enfurnado o respeito e o zelo pelos idosos brasileiros? Na fila do SUS? Nos pontos de ônibus? Nos rechonchudos proventos das aposentadorias? No atravessar das ruas? Nos assaltos? O que dizer dos filhos adultos que, com ironia, levam pelas mãos pintalgadas seus pais idosos para a vala do esquecimento em elegantes e onerosas casas de repouso, respirando noites e noites no silêncio frio os ares tristes da solidão? E o que dizer da escassez das visitas quando muitas vezes o esquecimento abraça o tempo?
De que vale cantar em prosa e verso as inaceitáveis agressões a idosos num país que resta travestido de hipocrisia? Noticiários exibem imagens de cuidadores que agridem covardemente, judiam sem dó nem piedade do ser humano, que envelhecido tornou-se debilitado. Porém, um grito paira no ar: por onde anda a justiça, a lei e a punição? Em qual avenida do esquecimento ficou perdida a solidariedade e o respeito pelos idosos? Qual o motivo que leva legisladores a manipular leis para proteger bandidos e cerrar os olhos para as injustiças sociais? De que vale a indignação perante atos cruéis se ninguém será punido de forma cogente e verdadeiramente eficaz?
Na semana em que se discutem agressões contra idosos, vale repensar a agressão maior: a rejeição dos filhos, através do abandono contumaz. A falta de paciência e intolerância quando o idoso se torna lento no caminhar, moroso no entendimento, repetitivo e carente do amor dos mais jovens. Repensar a velhice é ato de inteligência, pois a estrada nos leva saltitante para o entardecer e o tempo é fera voraz e destemida. A grande campanha seria: Não abandone seus pais na velhice! Ofereça colo, carinho e coração, assim como o fizeram quando você nasceu!
Por mais requintada e onerosa que venha ser a casa de repouso, os braços e o coração do filho valem muito mais, pois, é no calor deles que os pais recebem o alimento maior da vida: O amor. A agressão física de um cuidador é dolorosa e humilhante, porém, o abandono filial é crime de tortura e é mortal!


A autora é professora, advogada, pedagoga, psicopedagoga Autora de A Saudade é Lilás - valdemello@gmail.com

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