Desmitificar o processo de adoção, visto como extremamente complexo e demorado, e afastar o preconceito em relação à escolha por crianças que não sejam recém-nascidas são alguns dos objetivos do 1.º Fórum de Adoção de Bauru, que será realizado amanhã, a partir das 9h, na Casa do Advogado e Cidadania. O evento, que contará com a presença do advogado Antonio Carlos Berlini, presidente da Comissão Especial de Direito à Adoção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo, é realizado pela subseção da entidade em Bauru, em parceria com a Associação Regional Flor de Liz.
O encontro tem como público-alvo todas as pessoas que possuam interesse sobre o tema, inclusive aquelas que desejam adotar uma criança. Além de prestar orientação sobre os trâmites a serem cumpridos, a ideia é trazer à tona o debate.
“A maioria ainda quer menina branca e recém-nascida, até por medo de eventuais desdobramentos que o histórico de uma criança maior possa gerar, o que é um mito. Em Bauru, mesmo nos casos de adoção tardia, não temos registro de ‘devolução’ de crianças por problemas de convivência com a família adotiva”, destaca o advogado Olavo Pelegrina Júnior, coordenador da Comissão de Direito de Família da OAB em Bauru.
Por conta deste preconceito, o presidente da subseção da Ordem em Bauru, Alessandro Biem Cunha Carvalho, explica que o número de pretendentes segue significativamente maior do que o de crianças disponíveis para adoção no País. “Além disso, permanece a concepção de que a adoção é um processo demasiadamente burocrático. É claro que existem algumas exigências legais, até para garantir segurança à criança, mas os trâmites estão mais rápidos”, salienta.
Quebra de tabu
Em Bauru, segundo ele, o tempo médio para concluir todo o processo é de cerca de quatro anos, incluindo o período de adaptação junto à família. Coordenadora da Associação Flor de Liz, entidade que presta atendimento psicossocial a famílias e crianças adotivas em Bauru, Joaciara Araújo destaca que a espera enfrentada por casais heterossexuais, hoje, é a mesma de pessoas solteiras e casais homoafetivos.
“Esta já é uma realidade em Bauru. Houve uma quebra de tabu muito importante ao longo dos anos. E, independentemente do estado civil, existe todo um acompanhamento durante e depois da adoção”, pondera.
O fórum contará com a presença de diversos representantes de órgãos que se relacionam com o tema, como o juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer; o promotor da Infância e Juventude, Lucas Pimentel de Oliveira; e a titular da Sebes, Darlene Tendolo.
Todos participarão de uma mesa de debates, que será seguida de palestra com o advogado Antonio Carlos Berlini. O evento tem previsão para se encerrar às 12h, quando os certificados serão entregues aos participantes.
Quando e onde?
O 1.º Fórum de Adoção de Bauru será realizado a partir das 9h de amanhã, na Casa do Advogado e Cidadania, na Nações Unidas, 30-30, na Vila Universitária. As inscrições, gratuitas, podem ser feitas previamente pelo (14) 3227-3074 ou pelo bauru@oabsp.org.br. Os organizadores pedem para que os participantes colaborem doando uma lata de leite em pó. As vagas são limitadas.