Regional

Aguapés fazem Tietê "desaparecer"

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Malavolta Jr.

O rio Tietê transformou-se em um verdadeiro gramado no trecho da barragem entre Iacanga e Ibitinga nestes últimos dias

 A proliferação acentuada de aguapés no Tietê, na altura da barragem de Ibitinga (90 quilômetros de Bauru), alterou o cenário do leito do rio e transformou o trecho em verdadeiro “gramado”. A imagem atípica impressiona quem passa pelo local e, de acordo com técnicos, é reflexo da poluição da água pelo despejo de esgoto e nutrientes presentes nos fertilizantes usados nas lavouras.

 

Os aguapés ocupam boa parte da margem direita do rio, para quem trafega pela rodovia Cezário José de Castilho (SP-321) sentido Ibitinga, e já “invadiram” a entrada da eclusa. Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), análise da água no trecho, feita no ano passado, revelou cenário propício ao desenvolvimento das plantas.

 

“O aumento das plantas deve-se ao enriquecimento de nutrientes na água do reservatório. Esse problema é intensificado na época de estiagem, pois o volume do reservatório diminui, o que acarreta aumento da concentração dos nutrientes”, informa a assessoria de imprensa do órgão.

 

O professor Jozrael Henriques Rezende, coordenador do curso de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Jaú, revela que esses nutrientes estão presentes no esgoto despejado no rio sem tratamento e em adubos utilizados nas lavouras e expõem a poluição do Tietê.

 

Segundo ele, o problema é mais frequente no verão, mas o período de estiagem contribuiu para que o fenômeno fosse registrado no inverno. “O que a gente percebe é que os ambientes aquáticos estão tão desequilibrados do ponto de vista ecológico que o aguapé já está se tornando um problema até mesmo em meses de inverno”, afirma.

 

Problemas

 

A proliferação exagerada de aguapés no rio Tietê, de acordo com o professor, pode resultar em uma série de problemas. “Quando você tem um tapete de aguapé cobrindo todo o reservatório, como está acontecendo no rio Tietê, em Ibitinga, a luz solar não consegue penetrar na água, as algas não conseguem fazer fotossíntese e, portanto, não geram o oxigênio naquela massa d’água e pode faltar oxigênio para os peixes daquela região”, diz.

 

Além disso, segundo Rezende, a grande quantidade de plantas pode inviabilizar a pesca, por impedir o uso de redes; comprometer a navegação e dificultar funcionamento das turbinas da usina hidrelétrica e, consequentemente, a geração de energia. A Cetesb reforça ainda que o excesso de aguapés favorece a proliferação de insetos.

 

Combate a poluição 

 

Jozrael Henriques Rezende ressalta que os aguapés não são vilões porque ajudam a combater a poluição. “O sistema radicular dele tem a capacidade de absorver nutrientes e, inclusive, metais pesados, e ele pode ser utilizado de maneira controlada como auxiliar em processos de tratamento de esgoto e outros efluentes”, diz. Apesar dessa ‘ajuda’, segundo ele, a solução para o equilíbrio ambiental passa pela recomposição de matas ciliares, tratamento de esgoto e redução do fósforo nos detergentes e sabão em pó.

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