Economia & Negócios

Índice de emprego cai e reciclagem profissional é a 'bola da vez'

Tisa Moraes e Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 5 min

A desaceleração econômica provocou queda brusca no nível de emprego em Bauru, neste início de ano. Os primeiros cinco meses de 2015 foram os piores dos últimos 13 anos para a criação de novas vagas com carteira assinada, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta semana pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).  O cenário do País também é semelhante (leia mais na página 17). E, ontem, o secretário do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo, José Luiz Ribeiro, esteve em Bauru e fez o alerta: os trabalhadores “antigos de casa” e que não se reciclaram estão mais vulneráveis.

 

O Caged mostra que, de janeiro a maio, o volume de demissões foi maior que o de contratações, provocando a extinção de 112 postos de trabalho na cidade. Para se ter uma ideia, no mesmo período do ano passado, haviam sido criados 1.686 empregos formais. Resultado pior que o de 2015 só havia sido registrado em 2002, quando 132 vagas foram fechadas em Bauru.

 

O fraco desempenho do município foi impulsionado, principalmente, pelas dificuldades enfrentadas pelo comércio para manter seus empregados. Em cinco meses, o setor extinguiu, sozinho, 697 postos de trabalho. 

 

O segundo pior resultado foi o da indústria, com saldo negativo de 61 empregos com carteira assinada. A queda no nível de emprego em Bauru só não foi pior porque o setor de prestação de serviços conseguiu criar 498 vagas no período, seguido do ramo da construção civil, que gerou 165 novos postos de trabalho. 

 

Mais vulneráveis

 

E quem está ainda mais vulnerável neste cenário. Por terem exercido a mesma função por longo período de tempo, funcionários com anos “de casa”, demitidos recentemente, encontram dificuldade para reingressar ao mercado de trabalho. Motivo: muitos não procuraram se qualificar profissionalmente ao longo desse tempo. A saída, então, seria partir para o empreendedorismo. 

 

Quem levantou a problemática foi o secretário do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo, José Luiz Ribeiro, que esteve ontem em Bauru para abertura do treinamento que será oferecido a agentes dos Postos de Atendimentos ao Trabalhador (PAT) da cidade e da região.

 

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e o secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Renato Purini, também prestigiaram o evento, realizado no auditório do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas de Bauru e Região (Sindquimbru). 

 

O trabalho de reciclagem, realizado em dois dias (ontem e hoje) para cerca de 60 agentes do PAT, tem como objetivo esclarecer dúvidas do sistema Emprega São Paulo/Mais Empregos, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE); e dos programas oferecidos  pela Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho (Sert) – entre eles Escola do Empreendedor Paulista e Banco do Povo. 

 

Isso porque uma das principais metas do treinamento, conforme explica Ribeiro, é preparar as equipes do PAT a oferecer alternativas para que o trabalhador consiga reingressar ao mercado de trabalho. Ele exemplifica dizendo que muitas pessoas que perderam o emprego, em meio à crise, exerciam a mesma função há anos e no mesmo empreendimento. 

 

“As indústrias estão fazendo demissões frequentes e grande parte dos funcionários nunca fez outra coisa na vida. São, na maioria, pessoas de meia idade, entre 40 e 50 anos, que trilharam carreira e almejavam se aposentar na mesma empresa. Por isso, muitos não procuraram especialização profissional. Diante da situação econômica que enfrentamos, buscamos  qualificá-las, para inseri-las novamente no mercado”, detalhou o secretário. 

 

Solução? 

 

Para José Luiz Ribeiro, os índices de desemprego não devem apresentar melhora a curto prazo. “Enquanto emitimos 100 mil carteiras de trabalho preenchidas para novos empregos, são dadas 200 mil baixas para seguro e desemprego, ou seja, o dobro. Vai ser muito difícil o trabalhador voltar ao mercado de trabalho ainda neste ano”, apontou. 

 

A possível solução imediata, segundo ele, seria incentivar e oferecer estrutura para a qualificação das pessoas desempregadas. “Por isso, a pessoa deve partir para o empreendedorismo. E ela pode usufruir de programas, como o financiamento por meio do Banco do Povo, e se tornar um microempreendedor. Isso pode ser a grande saída para quem perdeu o emprego”.

 

Os secretário promete que os agentes do PAT servirão de apoio no processo de qualificação. “Essa reciclagem é muito importante para que eles saibam lidar com a crise e possam indicar as opções de qualificação como cursos de pintor, pedreiro, costureiro, entre outros oferecidos gratuitamente pela Secretaria. A ideia é que a pessoa administre seu próprio negócio ou ofereça mão de obra, pelo menos até estabilizar um pouco a crise”, acrescentou Ribeiro. 

 

Serviço

O PAT em Bauru fica na rua Vereador Joaquim da Silva Martha, 11-39, Altos da Cidade. Mais informações pelo telefone (14) 3227-0498.

 

Qualificação

 

 O secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Renato Purini, também aposta na qualificação dos trabalhadores como alternativa para amenizar a crise. Em Bauru, conforme o JC divulgou nesta semana, há 13.470 empreendedores individuais formalizados. 

 

“Temos um universo de 30 mil empreendedores na cidade que ainda estão na informalidade. Vamos tentar, através da Casa do Empreendedor (estrutura oferecida pela prefeitura para capacitar os profissionais), ampliar o atendimento de 800 pessoas para 1.100 ao mês. Queremos ainda qualificá-las do ponto de vista de gestão e especialização profissional”. 

 

O prefeito Rodrigo Agostinho reforça a questão da requalificação profissional e aponta para a busca por emprego em empresas de cobrança. “Bauru é muito forte nisso. Esse segmento acaba crescendo diante da crise, pois as pessoas não conseguem honrar com os compromissos financeiros. É uma alternativa diante da situação atual”.  

 

Frente de trabalho

 

Secretário do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo, José Luiz Ribeiro propôs ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) uma frente de trabalho alternativa durante o período de crise. 

 

O programa, oferecido pela Sert, oferece vagas para pessoas desempregadas por nove meses, com bolsa-auxílio de R$ 300,00. Como ato emergencial, Ribeiro tenta ampliar o prazo em mais quatro meses. “A ajuda de custo seria elevada para R$ 500,00”, acrescenta. 

 

Presidente do Sindicato dos Químicos de Bauru, Edson Dias Bicalho disse ter apresentado projeto ao governo do Estado de capacitação aos trabalhadores. “Será anunciado alguns cursos para o município e região. Estamos bastante empenhados em trazer novas oportunidades de emprego”, disse. 

 

 

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