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Colocação de semáforos

Archimedes Raia Jr.
| Tempo de leitura: 3 min

Tem sido recorrente se encontrar nas páginas do JC matérias abordando o tema e cartas de leitores reivindicando a colocação de semáforos em diversos cruzamentos da cidade. Convém lembrar que o trânsito é área técnica de competência da Engenharia.

O Instituto de Engenheiros de Transportes dos Estados Unidos define a Engenharia de Tráfego como o ramo da Engenharia de Transportes, subárea da Engenharia Civil, que se relaciona com o planejamento, desenho geométrico e com as operações de tráfego de vias rurais (rodovias e estradas) e urbanas, suas redes, terminais e terrenos adjacentes, inclusive com a integração de todos os modos e tipos de transportes, visando proporcionar a movimentação segura, eficiente e conveniente de pessoas e mercadorias. Assim, como o diagnóstico, a prescrição de remédios ou tratamentos para as diversas doenças humanas é de competência exclusiva do médico, a mesma analogia deve ser feita para com os profissionais de trânsito com relação às patologias, diagnósticos, prescrições e tratamentos dos problemas viários.

É de extrema importância que a população, que sente de maneira direta os problemas gerados pela circulação viária, externe os problemas enfrentados no dia a dia do trânsito, porém, é preciso ficar claro que cabe ao profissional de trânsito pesquisar as não conformidades, oferecer um diagnóstico e produzir soluções.

Particularmente, em relação à sinalização semafórica, é muito comum que os usuários de certas rotas ou residentes nas proximidades de um dado cruzamento, diante de problemas latentes de operação e segurança no trânsito, quase que exigem a implantação deste equipamento de controle de tráfego. No entanto, o semáforo não é uma panaceia que resolve todos os problemas de trânsito.

O semáforo é apenas uma das alternativas para o gerenciamento de conflitos em cruzamentos. Antes de se optar pela sua implantação, deve-se avaliar sua efetiva necessidade, levando-se em conta a viabilidade de adoção de diversas outras medidas alternativas. Adverte o Manual Brasileiro de Sinalização Semafórica que o uso apropriado do semáforo produz impactos positivos no processo de controle de tráfego, com muitas vantagens. Mas, quando o semáforo for utilizado de maneira inadequada, em contraposição aos "princípios de sinalização de trânsito", pode resultar em sérias consequências que imputam graves prejuízos ao desempenho e segurança viária.

O Denatran ressalta de forma peremptória que nem sempre o semáforo é a solução adequada para problemas de movimentos conflitantes e sua implantação deve ser fortemente justificada, após ampla análise técnica de viabilidade de soluções menos onerosas e radicais. Enfim, a população deve sim reclamar e exigir soluções para os problemas de trânsito, sejam eles pontuais ou de caráter mais geral. Cabe, no entanto, ao especialista de trânsito do órgão gestor a função de oferecer o tratamento e a dosagem adequada.

Há ainda que se lembrar que vários problemas de trânsito nem sempre são resolvidos somente com bons projetos de Engenharia. Muitas vezes, o comportamento inadequado dos usuários, sejam eles pedestres ou condutores, só pode ser modificado com um processo efetivo e gradual de educação para o trânsito, e severa fiscalização.

O autor é doutor em Engenharia de Transportes e especialista em trânsito, professor da UFSCar, diretor de Mobilidade da Assenag e articulista do JC.

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