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Músicos de Bauru acostumados a tocar na noite |
O inverno começou domingo, dia 21, só que o frio não veio pra valer... por enquanto! A previsão é de que haja declínios graduais na temperatura. E aí, como fica para a diversão?
Os músicos, especialistas na vida noturna de Bauru, dizem que o inverno muda um pouco os hábitos do público, e também dos artistas, que precisam de mais de aquecimento e cuidados com a voz. Porém, o friozinho não é desculpa para abrir mão de bom programa.
“Nos bares muito abertos pode até cair um pouco o movimento, mas se o local é fechado, tem comidas quentes e um bom vinho, até aumenta o público”, compara Bitenka Bittencourt, que canta e toca na noite bauruense há 30 anos. Para a plateia, uma dose de bebida pode ser uma boa, já para o músico... “Tem gente que toma café com conhaque, mas o álcool prejudica as cordas vocais”, alerta. Ele e outros músicos compartilham “segredos” para driblar o frio e fazer o show.
Afinação x temperatura
“Quando a gente está exposto ao vento frio perde o domínio total da voz, ela oscila e fica mais difícil manter a afinação. O mesmo acontece com os instrumentos de corda. A afinação é refém da temperatura. Quanto mais a gente se mantém aquecido, melhor! Por isso uso cachecol e gorro nessa época. Uma vez fui fazer um solo rápido e os dedos ficaram duros! Tem que fazer uma força física extra para sair o som. Para cantar, no meu caso, o frio afeta o grave e o agudo. Para aquecer, já tomei café com manteiga derretida... Funcionou!”
Bitenka Bittencourt
Cantor, violonista e guitarrista
De quente para gelado
“No inverno a gente corre mais risco de se resfriar, porque está cantando no quentinho e sai no frio. Pra quem usa a voz, o pior é a oscilação de temperatura. Antes e depois de cantar faço aquecimento com exercícios de vocalize. Também reforço a água, sempre sem gelo, e procuro ficar bem quietinha no dia a dia para me proteger. Evito remédios, pastilhas e coisas fortes como gengibre, porque dá a sensação de anestesiar, não é bom. Outro dia saí de madrugada e a voz sumiu na véspera de uma apresentação. Fiquei em silêncio, para não forçar, tomei bastante chá de maçã e fiz mais aquecimento. Aí deu tudo certo.”
Denise Amaral
Cantora há 20 anos
Xarope de romã
“Nessa época tem mais convites para baladas fechadas. Como não consigo ficar parado e transpiro muito, não sinto frio no show, o duro é na hora de sair... Me agasalho ainda mais. Como músico não pode ficar doente, costumo fazer inalação, que lubrifica a corda vocal, e não tomo nem como nada com muito açúcar, porque resseca. Parece que o chocolate fica parado na garganta! Quando tenho muitas apresentações numa semana, perto do sábado e domingo perco um pouco a voz. Aí faço um xarope de romã. Não é uma delícia, mas ajuda! Assim como qualquer tipo de chá, mas tem que ser morno, não pelando.”
Igor Yenes
Vocalista e guitarrista da banda de pop rock Aurora Summer
Devagar até esquentar
“Às vezes a gente está num espaço quente, toma gelado, sai no gelado e nem percebe... No frio é pior, e tem que carregar os instrumentos depois. O jeito é ficar bem agasalhado, colocar gorro e cachecol. Tocar por si só já aquece, e quanto mais aquecido, mais a gente coordena o movimento. A dica é fazer uma sequência de músicas que não exija muito, que vá mais devagar até aquecer. Tomo água e evito qualquer coisa gelada antes de cantar”
Marco Zambon
Canta, toca violão e guitarra há cerca de 20 anos
Aquecer e alongar
“Gosto mais do frio, até para cantar. O que me fazia sofrer era a fumaça dos cigarros nos bares, ainda mais quando ficavam fechados por causa do frio. Agora melhorou 100%. Trabalho o dia todo com a voz e faço exercícios de aquecimento. Evito bebida muito quente ou gelada, devido ao choque térmico, e protejo o pescoço com cachecol. Para aquecer mãos, alongamento. Cantar e tocar dão aquela esquentada!”
Regina Mancebo
Canta, toca violão, guitarra e percussão há 30 anos em bandas e em dupla com Marquinho Belinassi