A utilização de áreas de fundo de vale como de contenção natural de águas, associadas à criação de parques urbanos lineares, é uma proposta inserida desde o Plano Diretor de Bauru criado em 1996. A revisão da lei em 2008 manteve o conceito e, ainda, delimitou diversas áreas urbanas para a implantação do projeto.
Mas, na prática, a inércia do poder público ou a ausência de recursos para realizar desapropriações e instalação mantiveram os parques urbanos no papel. No último projeto com possibilidade de implementação, no chamado parque Água do Castelo, o governo municipal não fez a ideia avançar além do conceito. No local onde foi instalada a avenida Nações Unidas Norte, ao contrário, o que se viu foi uma parte da gleba ser transformada em piscinão.
Assim, a projeção de parques lineares aguarda desembaraços de áreas, assim como as interligações com os corredores ecológicos dependem de outras ações por parte do governo local. A destinação de 20 mil metros quadrados no termo de ajustamento de conduta que regulariza a ocupação de áreas lindeiras ao antigo eixo ferroviário avança com a fixação do destino para a gleba.
A área urbana de Bauru tem um milhão e oitocentos mil metros quadrados de vegetação que, se preservados, servirão à formação de corredores ecológicos, revela a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma). Os fragmentos estão espalhados por sete “blocos de vegetação” separando as diferentes bacias geográficas urbanas.
A formação dos corredores ecológicos é fundamental para a preservação de fauna e flora sobrevivente e, também, para a manutenção de temperatura urbana fresca no futuro, sobretudo em razão da explosão da ocupação imobiliária em várias frentes no espaço já edificado, conforme o engenheiro agrônomo Luiz Fernando Silva Nogueira, que atua no setor de arborização da Semma.
“A formação dos corredores ecológicos já está prevista no Plano Diretor, que foi revisado em 2008. A identificação das Áreas de Relevante Interesse Ecológico (Arie) depende agora da preservação desses fragmentos para que a fauna e a flora que ainda existem nesses espaços, dentro da zona urbana, sejam mantidas.”
Silva destaca que os fragmentos não concorrem com a expansão imobiliária, porque são áreas localizadas em fundos de vale ou participantes de bacias hidrográficas. “São áreas onde o interesse imobiliário é muito difícil, em razão da topografia acidentada e por ser vale, com córregos cortando essas regiões”, acrescenta.
De qualquer forma, o engenheiro agrônomo adverte que a ação individual e não empreendedora é que preocupa. “Alguns desses fragmentos sofrem com despejo e queima irregular de lixo ou supressão individual, uma questão cultural. São matas em estágio avançado e cuja característica atende ao que está previsto nas Aries estabelecidas no Plano Diretor”, esclarece.
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