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Entrevista da semana: Lucas Augusto Machado

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

Quioshi Goto

'Você deve estar sempre ao lado de Deus, que vai fazer as coisas acontecerem na hora certa’, cita Lucas Augusto Machado

Ele começou a trabalhar aos 11 anos e aos 14 já atuava com o jornalismo de revista. Já formado, viu surgir a oportunidade do jornalismo especializado e hoje é dono de uma das três editoras de revistas de cavalos do Brasil. O entrevistado de hoje é o jornalista Lucas Augusto Machado, da Jequitibá Comunicação (editora, marketing rural e assessoria de comunicação).

Sobre o sucesso? “Eu costumo dizer que você deve estar sempre ao lado de Deus, que vai fazer as coisas acontecerem na hora certa. Outra coisa é que você não deve ter medo de se arriscar, de tentar”, acredita.

Sobre projetos futuros, o empresário lançará nos próximos dias as revistas Enduro Equestre e da Confederação Brasileira de Hipismo.

Casado e pai de três meninos, Lucas ainda faz questão de falar sobre a amizade, segundo ele, fundamental na vida profissional e pessoal de qualquer ser humano. Leia mais, a seguir.

Jornal da Cidade - Você já começou a entrevista falando sobre a família.

Lucas Augusto Machado -  Sim, eu sou muito família. Tenho três filhos e minha família é 100% a minha vida. Minha história me levou a essa paixão pela família. Fui criado por três mulheres: minha mãe, avó e uma tia avó. Meu filho mais velho tinha oito meses de vida quando eu me separei da minha primeira esposa. E ele ficou comigo. Ser pai solteiro não foi nada fácil. Foi um aprendizado incrível. Além da minha mãe, minha esposa e minha sogra, que na época eram minhas amigas, me deram um suporte muito bom. Eu gosto de dizer que, se ele tivesse saído do ventre da Natache, não seria tão parecido com ela. Minha esposa é o meu porto seguro em tudo.

JC - Como teve início a sua carreira profissional?

Lucas - Começou bem cedo. Aos 11 anos de idade eu já trabalhava para ajudar em casa. Eu fui trabalhar na loja de um tio. Ele tinha uma fábrica e uma loja de estofados. Dos 11 aos 14 anos, eu nem via a cor do salário. Minha tia dava o meu salário direto para minha mãe. Meu tio foi presidente do Clube dos Diretores Lojistas, hoje chamado de Câmara de Dirigentes Lojistas. E ele fazia a revista “Lojistas”, que circulou no comércio de Bauru por duas décadas.

JC - O seu primeiro trabalho como jornalista?

Lucas - Sim. Ele me dizia que eu precisava fazer de tudo para saber fazer de tudo. Comecei vendendo anúncios, fiz a diagramação... Quando aprendi essa parte, ele me direcionou à redação. Ele e o Sílvio Rodrigues me ensinaram corrigindo meus textos no modelo antigo de se ensinar jornalismo, com a caneta vermelha e tudo (risos). Fui trabalhando com ele até que, ao terminar o ensino médio, ele me disse que, se eu pretendia levar o jornalismo adiante, teria de fazer faculdade. Aos 17 anos eu já assinava a revista como  editor, o que estava gerando problemas com o sindicato. Prestei vestibular e fiz faculdade na Unesp, onde aprendi a teoria e também a prática.

JC - Você sempre trabalhou por conta própria?

Lucas - Eu tenho muito orgulho em dizer que trabalhei apenas dois anos com registro em carteira. Aos 14 anos eu saí da revista para trabalhar em uma financeira, mas não deu certo porque eu nunca gostei de ficar preso em escritório. Voltei para trabalhar com meu tio e ele me disse que eu precisava ser empresário, ter livre iniciativa. Quando eu fiz 16 anos, minha mãe me emancipou para eu abrir minha primeira empresa para ser um prestador de serviços na revista do meu tio. Quando estava para me formar, eu me desentendi com meu tio. Éramos sócios e eu saí da sociedade apenas com uma máquina de escrever que ainda trago comigo (risos).

JC - E a separação da sociedade trouxe novos rumos para a sua vida profissional, imagino.

Lucas - Exatamente. Deixei de ser sócio do meu tio e passei a atuar como assessor de imprensa. Minha ideia na época era sobreviver. Montei uma pequena empresa e meu primeiro cliente foi o Sindicato dos Contabilistas de Bauru, comigo até hoje. Meu segundo cliente foi o Centro da Indústria da Construção do Oeste Paulista. Além da editora, também tenho uma empresa de assessoria de imprensa, que atualmente atende o Sindicato dos Contabilistas de Bauru, a Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) e o Simpi (Sindicato das Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo), que é ligado à Junta Comercial do Estado de São Paulo. Não ligados a cavalos, estes são os clientes de Bauru, mas temos clientes no País inteiro.  

JC - Como teve início a sua história com as revistas especializadas em cavalos?

Lucas - Conversando com um empresário da construção civil, ele me disse que estava trazendo para o Brasil uma raça de cavalos e gostaria de montar  uma revista especializada, no modelo americano. Disse que ainda não tinha dinheiro e cavalos, mas que gostava do meu trabalho. Eu fazia boletins informativos para os meus clientes. Ele me perguntou se eu tinha condições de fazer a revista e eu encarei o desafio.

JC - Assim você se especializou...

Lucas - Montei um boletim informativo que gradualmente foi se transformando em uma revista. Assim fui me especializando em revistas de cavalos. No Brasil, há somente três editoras especializadas em revistas de cavalos. Eu tenho uma delas, a maior em número de cavalos. Atendemos hoje as maiores raças e modalidades do País. Fazemos a revista completa, mas também a assessoria de imprensa para os haras, o marketing... É a minha paixão. Eu acordo cedo para trabalhar e vou até tarde, mas não abro mão da família (risos).

JC - Tem novos projetos para breve?

Lucas - Sim. Nesta próxima semana vamos lançar mais uma revista, a Enduro Equestre. Há poucos dias eu também assinei um contrato para fazer a revista da Confederação Brasileira de Hipismo, que é a mãe de todas as associações. Com a profissão conheci outros países. Já fui para o Texas, onde conheci o berço do paint horse, que dá nome a uma das revistas. Ela vai para os Estados Unidos e é elogiada como a segunda revista de raça. A Hipismo está na Europa e em banca nos Estados Unidos. Outro xodó é a Rédeas. Também estamos em banca no Brasil há um ano, mais ou menos.

JC - Com o jornalismo especializado também vieram boas amizades?

Lucas - Sim. Muitos bons amigos vieram com as revistas de cavalos e com o jornalismo por si só. O Sorocaba, da dupla Fernando & Sorocaba, é meu amigo desde quando ele era só o Fernando (seu verdadeiro nome). A amizade é fundamental na vida de qualquer pessoa. No começo da minha carreira eu fui muito ajudado por amigos. Alguns deles jornalistas, como a Rita de Cássia Cornélio, a Eliane Barbosa, o João Jabbour, o João Pedro Feza e o Renato Zaiden, entre outras pessoas importantes na minha trajetória. Hoje também posso contar com a minha equipe, que é muito bacana e competente. 

JC - Algum dia você imaginou que seguiria tal caminho?

Lucas - Eu costumo dizer que você deve estar sempre ao lado de Deus, que vai fazer as coisas acontecerem na hora certa, como foi a minha história com o jornalismo especializado. Outra coisa é que você não deve ter medo de se arriscar, de tentar.


Perfil

Nome: Lucas Augusto Machado

Idade: 43 anos

Local de Nascimento: Bauru 

Esposa: Natache Picarelli

Filhos: Artur, Lucca e Matheus

Libro de cabeceira: Bíblia 

Hobby: Leitura e academia 

Filme preferido: Filmes de Faroeste e todos os filmes do Jerry Lewis  

Estilo musical predileto: Rock dos anos 80

Time de futebol: Palmeiras e Noroeste 

Para quem dá nota 10: Para a minha família 

Para quem dá nota 0: Para os que não honram a própria palavra

E-mail: lucas@midiahorse.com.br 

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