Regional

ONG de Itapuí insiste em replantio

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Divulgação

Árvores plantadas às margens da via de acesso a Itapuí estão atrapalhando rede de transmissão  

Representantes da CPFL e Instituto Socioambiental Ecovida de Itapuí (44 quilômetros de Bauru) se reuniram ontem na sede do Ministério Público em Jaú para discutir a questão das árvores que serão cortadas em Itapuí. Novo encontro está previsto para ocorrer nesta semana, desta vez com a presença de membros da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A ONG defende que parte da compensação ambiental decorrente da supressão das espécies seja feita no município.

 

A polêmica envolvendo o corte de aproximadamente 500 espécies - muitas delas nativas - plantadas na margem esquerda da rodovia prefeito Alberto Massoni, que liga Itapuí à rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), foi divulgada pelo JC na semana passada. A ONG questiona autorização dada pelo órgão ambiental à CPFL para que o replantio seja feito na região de Ribeirão Preto, distante cerca de 200 quilômetros. 

 

Na ocasião, a Cetesb e a CPFL explicaram que a compensação ambiental em área diferente daquela onde é realizado o corte das árvores encontra respaldo na legislação. Segundo o advogado do Instituto Ecovida, Ezequiel Gonçalves, no encontro de ontem, a concessionária reafirmou a necessidade do corte imediato das espécies. “Os argumentos deles são fortes”, declara. “Tecnicamente, as árvores precisam ser retiradas porque cresceram muito”.

 

A ONG, porém, mantém seu posicionamento contrário ao replantio fora de Itapuí. “Essa compensação ambiental está sendo feita em um único lugar porque ela não diz respeito ao município de Itapuí. Ela diz respeito a cerca de 250 municípios do Estado de São Paulo, diz. “Só que nós não podemos ficar passivos nessa situação. Nós estamos tentando uma compensação intermediária. Nós queremos achar um meio termo e recompor essa área, um pouco que seja, no município”.

 

Risco

 

Segundo o presidente do Instituto Ecovida, José Vitor Ficcio, o projeto para o plantio de árvores nativas na via de acesso a Itapuí teve início em 2005, por meio de parceria entre a ONG, prefeitura e empresas locais. Os trabalhos foram concluídos em 2014, atingindo o marco de 1 mil espécies plantadas numa extensão de quatro quilômetros. 

 

“Por infelicidade, foi instalado linhão para suprir energia para um abatedouro de frangos que estava com deficiência no abastecimento em cima das árvores que a gente plantou”, diz. A CPFL alega que a vegetação a ser suprimida está colocando em risco a população e fornecimento de energia para Itapuí e região. 

 

'Resposta social'

 

Na avaliação do advogado do Instituto Socioambiental Ecovida, Ezequiel Gonçalves, a CPFL poderia reservar uma área de 1 a 3 hectares em Itapuí para fazer parte da compensação ambiental devida em razão do corte das dezenas de árvores. “Seria uma resposta social. A resposta técnica já nos foi dada e eu estou satisfeito. A resposta ambiental também, que o plantio será feito em São Simão”, declara. “Eu acho que se eles fizerem essa compensação pequenininha em Itapuí, eu já vou estar satisfeito”. 

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