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Maconha e cocaína seriam as drogas mais comercializadas, segundo delegado Cledson |
A Polícia Civil de Bauru se reunirá hoje com síndicos e moradores de residenciais particulares de Bauru para debater a “presença de drogas dentro dos condomínios”. O assunto, que nos últimos anos entrou para a lista dos temas mais discutidos em reunião interna de alguns condomínios de médio e alto padrão da cidade, agora ganha contornos mais preocupantes. Diante da dificuldade em pular os paredões e passar pelas portarias, traficantes estariam se aproveitando das relações de amizade de usuários moradores desses locais para instalar pequenos pontos de comércio de drogas com objetivo de abastecer a vizinhança usuária.
A informação é levantada pela Polícia Civil e foi reforçada por alguns condôminos da zona sul ao JC. Tanto a polícia quanto os moradores, contudo, ressaltam que, não obstante ao surgimento do tráfico, o uso ainda tem sido a principal preocupação no interior dos condomínios.
Alvo
Maconha e cocaína seriam os principais entorpecentes comercializados e usados, pelo menos, nos condomínios horizontais de médio e alto padrão que passam por esses tipos de problemas, segundo aponta o delegado titular da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Bauru, Cledson Luiz do Nascimento.
O uso ocorreria a qualquer horário, principalmente nas áreas comuns aos condôminos, como quadras, bosques, praças, playgrounds, ou pontos ermos dos residenciais.
Já o tráfico de fato utilizaria a própria amizade dos condôminos e as residências dos usuários que se submetem ao comércio para se disseminar.
“Com a dificuldade de atingir seu público-alvo, o traficante aproveita a proximidade com alguns usuários, que acabam entrando para o tráfico e repassando entorpecentes para pessoas mais próximas”, comenta o delegado.
A Polícia Civil, no entanto, não apresentou em números a quantidade de casos do tipo registrados, mas afirma que as apreensões ocorrem, assim como em qualquer lugar da cidade. “Não houve aumento de casos, mas é um assunto que preocupa. Acompanhado a isso, outros tipo de crimes podem acabar ocorrendo dentro dos condomínios, como os furtos, por exemplo”, comenta Cledson do Nascimento, salientando a importância do encontro de hoje (leia mais abaixo).
“O problema acaba não sendo tão estereotipado quanto na periferia, onde funcionam parte das biqueiras”, explica.
Problema velado
A dificuldade do trabalho de investigação da Polícia Civil também se esbarraria na forma “velada” como alguns residenciais acabariam tratando o delciado assunto.
Morador de um residencial horizontal na zona sul há quase 10 anos, um homem de 62 anos, que pediu para ter a identidade preservada, relata conviver com receio por saber da existência de usuários de drogas, que, inclusive, repassariam a droga dentro condomínio.
“Não estamos livres disso, infelizmente acontece, assim como acontece em outros locais da cidade”, afirma. “Mas o consumo acontece, geralmente, no interior da casa”, reforça.
Outro morador, de 47 anos, que mora há 7 anos em outro condomínio de casas, também na zona sul, também afirma conviver com o problema.
“Inicialmente, o uso de drogas ocorria na quadra de esportes e no playground, mas depois que a ronda foi reforçada, acabou se disseminando. Agora, acontece em rodas de conversas em frente à residência e, independe do horário”, comenta o morador, que também atua como síndico do local.
“Quando a ronda fica sabendo, nós comunicamos e conversamos com a família. Mas fica tudo entre nós”, reforça.
Apesar do problema, a gestão dos residenciais em questão ressaltou que o trabalho de ronda particular tem sido reforçado e ampliado, justamente com intuito de minimizar e evitar a disseminação das drogas.
Na última reunião realizada, em abril, pelo Sindicato da Habitação (Secovi) em Bauru, no entanto, o assunto voltou a ser levantado pelos síndicos que participavam do encontro e teriam proposto o tema da reunião de hoje, para receberem orientações da polícia de como lidar direito com essa situação.
Para evitar
Apostar na iluminação interna mais intensa, instalação de câmeras em locais ermos e a ampliar a ronda em horários alternados são algumas das dicas da Polícia Civil para evitar que o uso e o comércio de drogas aconteçam nos condomínios.
“Os pais e vizinhos também precisam estar atentos quanto à movimentação atípica em casa”, ressalta o delegado. “E a polícia deve ser comunicada se houver informações sobre o ponto de comércio ou paradeiro do traficante”, finaliza Cledson do Nascimento.
Encontro do Secovi ocorre nesta terça
A palestra no Secovi hoje será ministrada por Cledson Nascimento. O diretor regional do Secovi-SP em Bauru, Riad Elia Said, fará a abertura do evento, ao lado de Alessandro Biem Cunha Carvalho, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - Secção São Paulo - 21ª subseção Bauru. Também estará presente o diretor de administradoras de condomínios da Regional do Secovi-SP em Bauru, Alexandre Mauad, que é o coordenador do Ciclo de Palestras Secovi de Gestão Condominial Drogas em Condomínios.
Serviço
O Ciclo de Palestras de Gestão Condominial Drogas em Condomínios do Secovi ocorre hoje, a partir das 18h30, na Secção São Paulo - 21ª subseção da OAB Bauru, que fica na Avenida Nações Unidas, 30-30. Mais informações pelo (14) 3227-2616.