Política

Aumento da água valerá para agosto

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

As famílias e empresas de Bauru ganharão um fôlego a mais em suas contas de água. O aumento da tarifa deve mesmo ser de 35%. No entanto, diferentemente do que era esperado, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) não conseguiu publicar o decreto de reajuste nesta terça-feira, último dia do mês. A expectativa, agora, é de que isso ocorra na próxima quinta, já no dia 2 de julho, adiando a vigência dos novos valores para agosto.

 

“Havia uma confusão e uma dúvida que também era minha. Mas avançamos no debate e está claro de que a correção da tarifa de água só vale 30 dias depois do decreto”, disse ontem o chefe do Executivo, após reunião com os vereadores, durante o intervalo da sessão da Câmara Municipal.

 

Agostinho afirmou que, ainda hoje, terá nova reunião com o DAE para alinhavar os últimos detalhes antes da definição do aumento. 

 

“Faremos mais alguns cálculos e vamos decidir quais obras poderão ser executadas ainda este ano, diante da situação econômica difícil”, pontuou.

 

TEMOR

 

Apesar de aparentemente  boa para a população em geral, a informação de que o reajuste não incidirá sobre as contas do mês de julho é preocupante. Isso porque, em reunião com a Comissão de Obras do Legislativo, na semana passada, a diretora financeira do DAE, Elis Anjos, afirmou que, com a correção de 35% na tarifa, a autarquia “tentaria fechar no azul”.

 

Contudo, ela contava com a elevação na arrecadação já para o próximo mês e não só a partir de agosto. O adiamento da publicação do decreto, portanto, pode fazer com que a direção do departamento insista na necessidade de um aumento na conta ainda maior para conseguir honrar todos os seus compromissos até o fim de 2015. 

 

“Isso não vai acontecer. O meu limite de negociação é 35%. Também acho muito difícil concedermos um reajuste menor do que esse. O impacto do custo da energia foi muito alto no DAE. A conta, que já não era baixa, praticamente dobrou. Não temos outra medida a tomar. Mas também não vamos dar o que os técnicos pediram”, alegou Rodrigo.

 

Cenário ideal

 

Como já noticiado pelo JC, a autarquia reivindica aumento de 57% na tarifa de água. Além de cobrir o aumento de despesas de custeio, principalmente com energia elétrica, o reajuste sete vezes maior do que a implantação viabilizaria a execução de R$ 17 milhões em obras, apontadas como prioritárias pelo Plano Diretor de Águas (PDA).

 

Encanador ganha R$ 9,5 mil

 

Líder da oposição, Lima Júnior (PSDB) atribuiu o aumento da tarifa de água à falta de planejamento, à politicagem com os reajustes dos anos anteriores e ao que chamou de política salarial equivocada promovida pelo governo. O tucano exemplificou a acusação, citando o caso de um encanador do DAE cujo salário bruto médio é de R$ 9.500,00.

 

“Não tem nada que justifique. Todas as profissões devem ser respeitadas, mas essa remuneração é destoante do que se pratica no mercado. É uma das distorções promovidas pelos Planos de Cargos, Carreiras e Salários do prefeito ao longo dos anos”, disse.

 

Líder do governo, Markinho da Diversidade (PMDB) tentou contemporizar, alegando que o funcionário é beneficiado pela incorporação do cargo de diretor.  “Ele está há 20 anos no DAE e também recebeu horas extras. Não se trata só de salário, que não é alto. Tanto é que a autarquia, recentemente, teve dificuldade de contratar profissionais para o cargo”. No Portal da Transparência do DAE, a reportagem constatou que dos 129 encanadores 18 receberam salário bruto maior que R$ 5 mil.

 

Cooperativismo

 

 Rodrigo Agostinho (PMDB) foi chamado ontem à sessão legislativa para prestar esclarecimentos sobre o Programa Municipal do Cooperativismo, cujo texto estava na pauta de votação de ontem. 

 

O prefeito se solidarizou à reivindicação do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm), que pedia a aprovação de emenda do vereador Roque Ferreira (PT) a fim de suprimir o trecho do projeto que abre brechas para a administração municipal contratar mão-de-obra por meio de cooperativas, terceirizando serviços públicos. Já havia consenso em torno da aprovação da emenda. Contudo, o vereador Sandro Bussola (PT) pediu o adiamento da votação por duas semanas, alegando a necessidade de ampliar o controle social sobre o programa proposto. Roque acusou o colega de tentar evitar a apreciação do texto como retaliação a protesto contra o projeto, organizado pelo Sindicato dos Bancários, que ocorria na frente da Câmara durante a sessão.

 

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