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Nostalgia do presente

Paola Patriarca
| Tempo de leitura: 2 min

Era criança, mas lembro como se fosse hoje a sensação que tive ao pisar pela primeira vez em uma videolocadora. Ao ver inúmeras prateleiras cheias de filmes, documentários, musicais, senti-me como estivesse em um mundo diferente do real. Um mundo onde o tempo parecia que parava e tinha prazer em simplesmente passar horas para selecionar os melhores títulos, tanto inéditos ou preferidos. Desde então, ela se tornou um dos meus lugares preferidos e pensava que seria muito difícil deixar de frequentá-la. Engano meu. Mal sabia que anos depois seria uma das mais adeptas aos programas de streaming que traz filmes online e nos deixa cada vez mais acostumados com a comodidade de não precisar sair de casa como antes. 

 

Contudo, parando para analisar essa mudança, me dei conta de que faz pouco tempo que esse cenário mudou. Há 10 anos alugar um filme era considerado quase um ritual. As locadoras ficavam lotadas nos finais de semana, nas férias escolares e, principalmente, no inverno. Mas a pirataria, devido ao avanço da internet, mudou drasticamente o cenário. Baixar filmes ilegalmente começou a tomar conta do mercado. O Brasil, por exemplo, chegou a ficar em 4º lugar no ranking dos países que mais baixaram filmes, sendo quase 8,7 milhões de downloads. Um estudo prevê que, este ano, o país será vice-líder mundial em downloads ilegais, ultrapassando a Inglaterra. Porém, já não bastasse a pirataria dar um golpe nas locadoras, a chegada e a popularização dos serviços de streaming, como Netflix, foi o fim para elas e já ameaça até canais de televisão nos EUA. De acordo com uma análise da FBR Capital Markets, de Wall Street, o serviço de streaming pode bater a audiência de alguns dos maiores canais de televisão norte-americanos em 2016. E, realmente, analisando uma conversa em uma roda de amigos percebi que a cada série ou filme mencionado por alguém a pergunta ‘está na Netflix?’ é feita. Isso me fez pensar que a próxima geração provavelmente não saberá o que eram as videolocadoras. Sair de casa para escolher um filme? Vai ser visto como algo ultrapassado. Para muitos, isso já é considerado. Ao ler uma reportagem que informava sobre todas as locadoras poderem estar extintas em 2017, confesso que fiquei nostálgica. Não vou negar que deixei de frequentá-las, apesar delas tentarem se manter oferecendo Blu-Ray e locações online. Mas me deu saudade daquela sensação de que, ao entrar na locadora, o tempo parava e permitia que eu apreciasse o prazer de estar diante de inúmeros títulos do mundo do cinema. Aliás, e o cinema no futuro? Será que vai mudar também? Bom, isso já é tema para outro artigo. Por enquanto, continuemos com a nostalgia dos tempos das locadoras. Tempo que é presente, mas se tornou passado. 

 

A autora é jornalista e repórter da Editora Alto Astral

 

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