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Duplicação da Affonso Aiello: decreto viabiliza desapropriação

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan

Prefeito recebeu nessa terça-feira (30) moradores e empresários que utilizam a avenida de pistas simples

Antiga reivindicação, sobretudo, de moradores de condomínios da região sul de Bauru, a duplicação da avenida Affonso José Aiello, no trecho que liga a Getúlio Vargas até o muro do Villaggio 1, pode se tornar realidade. O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) anunciou que, em 15 dias, decretará como de utilidade pública os lotes que margeiam a via e terão de ser desapropriados. O município, no entanto, não tem o dinheiro necessário para pagar por essas áreas nem para executar a obra.


O assunto foi discutido nessa terça-feira (30), no Palácio das Cerejeiras, entre o chefe do Executivo, representantes da comunidade local, empresários e os vereadores Lima Júnior (PSDB) e Telma Gobbi (PMDB).


ALTERNATIVA


Diante da escassez de recursos públicos, a alternativa apresentada pela administração foi viabilizar as intervenções solicitadas por meio de contrapartidas a serem exigidas pelo poder público de empreendimentos residenciais que estão se instalando na região.


“Quando saíram os primeiros condomínios, não exigiram que a pista fosse duplicada. Hoje, a região cresceu e, em breve, por conta dos novos lançamentos, vai morar ainda mais gente por lá. Vamos fazer um esforço para negociar junto aos empreendedores, com o Ministério Público como interveniente. Acredito que não será difícil dar certo porque podemos fazer as exigências necessárias com base na lei do Estudo de Impacto de Vizinhança. Além disso, é uma região muito visada”, disse o prefeito.


Contrapartidas


Segundo Rodrigo, a ideia é que os responsáveis pelos empreendimentos que estão sendo construídos no entorno da Affonso José Aiello paguem as desapropriações e executem a duplicação da avenida.


“A obra não toma muito dinheiro, mas a terra naquela região nobre é cara. A Secretaria Municipal de Planejamento está concluindo as avaliações dos lotes para adiantarmos a nossa parte, que é o decreto de utilidade pública”, pontuou o peemedebista.


Uma nova reunião da administração com os moradores foi marcada para daqui a um mês.


Moradores: é questão de segurança


“Não tem mais um horário de pico. O movimento intenso e o perigo estão presentes durante todo o dia”, garante Henrique Trecenti, morador do Villaggio 2, que participou da reunião de ontem, na Prefeitura de Bauru.


Ele afirma que a obra de duplicação é uma necessidade por questões de segurança dos usuários.  “E com os novos empreendimentos que estão sendo instalados na região, essa demanda se tornará ainda mais latente”.


Henrique relata que, por conta do grande número de obras em andamento nas redondezas, é muito grande o fluxo de caminhões pela via, que, apesar do nome de avenida, não passa de uma rua estreita.


“É complicado porque os caminhões tornam o tráfego mais lento, os motoristas tentam ultrapassar e acabam na contramão. É muito perigoso”, analisa.


O morador diz que, mesmo diante da situação financeira desfavorável, o prefeito Rodrigo Agostinho foi solícito e demonstrou empenho na tentativa de viabilizar a obra. “Eu faço um apelo para que não haja especulação imobiliária nas áreas que precisam ser desapropriadas. Tem gente pedindo R$ 1.000,00 no metro quadrado, o que não é adequado nem compatível. Os proprietários devem receber o preço justo”.


Anselmo Mozer, que mora no Villaggio 3, lembra que a luta da população da região começou em 2003 e que, em 2011, foi protocolado abaixo-assinado com mais de 2 mil adesões, reivindicando a duplicação da Affonso José Aiello.


Outras intervenções


O JC do último domingo mostrou que, por meio de um acordo entre o Ministério Público Federa (MPF), a União, a Prefeitura de Bauru e as famílias responsáveis pelos condomínios Villaggio 1, 2 e 3, sairá do papel a ligação entre a Affonso José Aiello e a José Vicente Aiello, com o intuito de desafogar o tráfego na região.


Também por meio de contrapartidas, serão construídos acessos alternativos entre a Affonso Aiello e as avenidas Getúlio Vargas e Nossa Senhora de Fátima.


Morador do Villaggio 2, Martin Santiago concorda que as intervenções são importantes, mas não suprem a necessidade de duplicar a avenida. “O problema é a segurança na via e não só o acesso a ela”.



 

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