Alex Mita |
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Na calçada da casa da criança, ainda havia resquícios de sangue do adolescente golpeado |
Uma sociedade descontrolada emocionalmente e que enxerga na violência a única saída para tentar resolver os problemas. Um caso registrado nessa terça-feira (30) em Bauru indica que nenhuma faixa etária está livre desta realidade alarmante. Uma criança de apenas 11 anos furou o peito de um adolescente de 13 com um pedaço de alumínio, no Parque Bauru (região entre o Jardim Carolina e o José Regino). A vítima teve o pulmão perfurado e está na UTI do Hospital Estadual (HE).
Segundo os familiares de ambas as partes, a confusão começou por causa de uma brincadeira com pipas, contudo, o menino que feriu o jovem alega que vinha sofrendo bullying. Depois, mais cenas de descontrole: um carro foi depredado e houve discussão entre os familiares.
Por volta das 14h, o pai do menino de 11 anos saía de casa para trabalhar e avistou os colegas empinando pipa em frente à casa da criança. Não passou nem meia hora e o homem recebeu a notícia de que o filho havia golpeado o vizinho.
A irmã da criança de 11 anos prestou os primeiros socorros à vítima. “Tentei estancar o sangue com uma roupa e parei o primeiro carro que passava pela rua, que nos levou até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Geisel”, narra a jovem.
Lá, as famílias das partes começaram a discutir, mas a situação foi amenizada após a chegada da Polícia Militar (PM). Em seguida, a vítima foi encaminhada ao PS Central por uma viatura do Samu.
Durante a tarde, o JC acionou a assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru, que informou que o estado de saúde do adolescente era grave e que ele ainda aguardava transferência para a UTI Infantil.
No fim da noite, a reportagem conversou com a mãe da vítima e ela informou que o menino estava internado na UTI do Hospital Estadual. Durante o dia, a genitora teve informações que o garoto corria risco de morte. O JC entrou em contato com a assessoria de imprensa da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), que administra o HE, mas a família do jovem hospitalizado não havia assinado o termo de consentimento para divulgação de seu estado.
Alex Mita |
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Depois da confusão, algumas pessoas depredaram o carro de um dos irmãos da criança de 11 anos |
Conforme consta no BO, o garoto que golpeou o vizinho fugiu com o pedaço de alumínio em mãos e teria jogado o objeto em um terreno baldio. O instrumento cortante não foi localizado. Além disso, segundo o pai do menino que efetuou o golpe, algumas pessoas acreditaram que um irmão mais velho teria incentivado a agressão. Por conta disso, o carro que esse filho conduzia, um Chevrolet/Caravan, com placas de Duartina, que estava estacionado em frente à casa da família, foi depredado. O genitor, contudo, alega que o filho mais velho não teve qualquer participação.
Pipa ou bullying?
Tanto a mãe da vítima quanto a família do garoto de 11 anos acreditam que o desentendimento começou por conta de uma brincadeira de pipa. Todavia, não foi este motivo que a criança alegou quando chegou à delegacia acompanhada do pai.
Conforme consta no registro da polícia, o menino relatou que sofria constantes agressões quando entrava e saía da escola onde estuda. Cansada de suposto bullying, a criança teria reagido com ainda mais violência.
Em relação à arma, o menino contou à polícia que teria sido uma chapa de alumínio. Contudo, a madrasta da criança argumenta que, antes do fato, ela teria pedido uma faca para consertar uma pipa. “Eu acho que ele pegou sem eu ver”, diz.
E agora?
De acordo com o delegado plantonista Milton Bassoto Junior, a polícia só não registrou o caso como ato infracional por lesão corporal, porque não há crime antes de a criança passar a ser adolescente, ou seja, quando completar 12 anos.
Mesmo assim, por conta da gravidade da situação, o pai da criança firmou o compromisso de apresentá-la à Promotoria da Infância e Juventude em data a ser marcada.
‘Vizinha veio aos gritos’, diz a mãe da vítima
Muito abalada, a mãe da vítima narra que o adolescente é calmo e nunca se envolveu em brigas. Quanto à criança de 11 anos que assumiu ter golpeado o colega, a genitora argumenta que não o conhece e que ele nunca foi até a casa do filho. “Ele nunca frequentou a minha casa, porque eu falo ao meu filho que amigo de rua não é amigo. Dentro de casa, só entra a família mesmo”, desabafa.
A mãe da vítima pontua ainda que trabalha diariamente das 17h às 5h e, mesmo assim, serve o almoço para os filhos mais cedo, por volta das 11h. Depois da refeição, o adolescente pediu dinheiro para comprar uma pipa. “Ele até levou a pipa para eu ver e disse que mostraria aos vizinhos. Pouco tempo depois, uma moradora da região veio me dar a notícia aos gritos e eu corri para a UPA”, finaliza.
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Alex Mita |
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O adolescente foi levado até a UPA do Geisel pela irmã da criança que assumiu tê-lo golpeado |


