Malavolta Jr./Arquivo |
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Segundo a psicóloga Marisa Meira, escola também pode propor atividades lúdicas, a serem debatidas na volta às aulas. Veja mais sobre o assunto em https://www.compartilhandosaberes.com.br |
As férias escolares de julho são tidas por especialistas como uma pausa necessária para estudantes se recuperarem do desgaste físico e mental desencadeado ao longo do ano letivo. Mas, como boa parte dos pais não dispõe do mesmo tempo livre nesta época do ano, é preciso planejamento para oferecer descanso de qualidade aos filhos. Caso contrário, o recesso pode ter até efeito contrário ao proposto.
Planejar ajuda, em boa parte, a evitar situações de estresse e tédio durante o tempo em que as crianças e adolescentes permanecem fora da escola, conforme explica a doutora em psicologia escolar Marisa Meira.
“Como a maioria dos pais trabalha e as crianças já não têm mais o hábito de brincar na rua, elas acabam passando boa parte do tempo na frente do computador, da TV, do videogame. Esse ‘mais do mesmo’ não é saudável e pode, inclusive, gerar tensões dentro de casa”, aponta a especialista, que é professora aposentada do departamento de Psicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenadora do blog Compartilhando Saberes.
“Há uma quebra de rotina. Por isso, sem que haja um planejamento mínimo, esse tempo de convivência maior entre pais e filhos pode ser estressante. As crianças podem ficar entediadas, querendo atenção, e os pais, sem tempo e paciência, desejando que as férias cheguem logo ao fim”, completa.
Assim como ela, a professora e coordenadora do curso de Pedagogia da Universidade Sagrado Coração (USC), Eliane Aparecida Toledo Pinto, afirma que os pais precisam estar preparados para oferecer atividades lúdicas aos filhos, que não sejam as mesmas proporcionadas pela grade escolar. “E estas atividades não devem ser, nunca, uma imposição. O ideal é mostrar quais são as possibilidades e deixar a escolha livre. Em Bauru, existem cursos de férias gratuitos, opções culturais gratuitas, bibliotecas públicas”, observa, destacando, contudo, que as crianças não devem ser sobrecarregadas neste período.
Papel da escola
Para Marisa, a escola pode e deve contribuir para este momento, oferecendo sugestões de leitura ou atividades culturais, como peças de teatro, cinema ou apresentações musicais e de dança que estejam programadas para o mês de julho. Ao fim do recesso escolar, elas poderão ser debatidas em sala de aula.
“É claro que proposta irá variar de acordo com a idade e a realidade social de cada grupo de alunos. Mas nada impede que seja desenvolvida”, cita. Segundo a psicóloga, a participação assídua dos pais na vida escolar dos filhos também contribui para que eles se aproximem de outros pais de alunos, o que pode favorecer a construção de uma rede colaborativa para o período de férias.
“Uma mãe que não trabalhe, por exemplo, talvez possa levar as crianças para uma atividade que estiver programada para o meio da semana. Neste momento, vale contar com a amizade e a colaboração de quem tem mais tempo livre”, destaca.
Mas, mesmo os pais mais ocupados têm condições de propor brincadeiras dentro de casa, depois do trabalho, o que contribui para fortalecer os laços familiares. “Vale fazer uma receita de bolo, ler um livro junto e, aos finais de semana, sair para passear. São iniciativas que reforçam o afeto entre pais e filhos e ajudam, inclusive, no desenvolvimento intelectual das crianças”, pontua.
FALA POVO:
O que você acha das férias escolares?
“Os avós convivem mais com os netos e isso é ótimo, porém, depois de um tempo, se torna cansativo, porque fazer atividades diárias e diferentes não é fácil.” Adolfo Oliveira, 56 anos, aposentado
“Minha filha vai pra creche porque trabalho e ela não pode perder o hábito. Mas é ótimo pelo fato de poder estar mais próximo e fazer atividades diferentes.” César de Barros, 22 anos, metalúrgico
“Mesmo depois que os filhos crescem e entram na faculdade, você ainda se preocupa com eles. Mas é muito bom ter os filhos por perto durante as férias.” Fabiana Carvalho, 38 anos, diarista
“É ótimo ficar mais próximo, estar mais presente, fazer atividades diferente da rotina imposta pela escola. Mas vejo muita ansiedade nas crianças para fazer atividades e ocupar o tempo livre.” Nayara Gonçalves, 24 anos, recepcionista
“Um mês de férias desgasta muito os pais. Uma maneira poderia ser 3 meses de aula e 15 dias de férias. Conviver mais com os filhos é importante.”
Anderson de Souza, 31 anos, guardador de carro
“As férias são boas, pois é possível ter aproximação com os filhos e se divertir com eles, mas, muitas vezes, ficam sozinhos em casa, o que preocupa.”
Juliana Magalhães, 34 anos, comerciante
“Poder curtir os filhos todos os dias da semana é muito bom e acaba até recarregando as energias. Mas as férias poderiam ser melhores distribuídas no ano.” Luís Victorelli, 52 anos, jornalista
“Ficar com os netos é bom, porém, às vezes, chega a ser muito cansativo Meus netos não param um minuto. Existem alguns dias das férias que os levamos em locais que ficam com crianças o dia todo.”
Alcides Valle Junior, 56 anos, empresário
Alunos já começaram a entrar em férias
Boa parte das 50 escolas de ensino infantil, fundamental e médio da rede particular de Bauru já entrou em recesso, embora, segundo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), todas tenham autonomia para definir seus calendários. O mesmo ocorre com as faculdades privadas, que também são orientadas a cumprir os 200 dias letivos.
Já a rede estadual, que conta com 31 escolas no município, permanece em férias entre 3 de julho e 2 de agosto. Na rede municipal, o período de recesso tem início no dia 8 e termina no dia 22 de julho.
Mas, de acordo com a prefeitura, Escolas Municipais de Educação Infantil Integrado (Emeii) e creches conveniadas, com atendimento em período integral, funcionarão em horário normal, com acompanhamento de auxiliares de creche. Já as Escolas Municipais de Ensino Fundamental seguirão calendário diferenciado devido às aulas que ficaram suspensas durante o período de greve dos servidores municipais. Cada escola terá calendário próprio de reposição.
Ao todo, 8.520 alunos são atendidos pelas 16 escolas de Ensino Fundamental, aproximadamente 800 pelo Ceja, 9.567 pelas 64 unidades de Educação Infantil (de período parcial e integral) e 3.273 pelas 29 creches conveniadas.
Universidades públicas
As férias dos cursos de graduação da USP terão início no próximo dia 6 e terminam em 26 de julho. Oficialmente, os alunos dos cursos da pós não entram em férias.
Na Unesp, por conta da greve de quatro meses ocorrida no ano passado, o primeiro semestre só começará a ser concluído em agosto. Na Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação, o recesso será de 6 a 18 de outubro.
Já na Faculdade de Ciências, as férias serão concedidas entre 1 e 20 de setembro, com exceção do 5º ano noturno do curso de licenciatura em ciências biológicas, que param entre 20 e 23 de agosto. Na Faculdade de Engenharia, a pausa ocorre entre 7 e 27 de setembro.
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