Esportes

Eternos craques criticam altos salários no futebol

Marcus Liborio
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Quioshi Goto

Jorge Arantes de Souza, Picolé, Aparício Batista do Nascimento, Faria Neto e Tupãzinho em visita ao JC

Dois ex-craques do futebol brasileiro estiveram nessa quinta-feira (2) em Bauru. Tupãzinho, que jogou no Corinthians e fez o gol do título do Brasileirão de 1990, e Picolé, revelado pelo Noroeste e que defendeu o Palmeiras na década de 1970. Recebidos pelo vereador e presidente da Câmara de Vereadores, Faria Neto, os ex-jogadores aproveitaram a passagem pela cidade para visitar o Jornal da Cidade.


Em entrevista, eles comentaram a crise financeira que atingiu os clubes nacionais e sobre o escândalo de corrupção que abalou o futebol mundial e a Fifa. Tupãzinho, hoje com 47 anos, atribui a delicada situação financeira dos times aos altos salários de alguns jogadores.


“É fora do normal. Tem atletas recebendo R$ 500 mil por mês. Isso influencia muito na questão econômica do clube. Qual time brasileiro, hoje, tem condições de arcar com uma receita tão alta assim?”, critica.


Na época em que ele atuava como jogador profissional, a realidade era outra. “Não existia supervalorizações de jogadores e os clubes se mantinham com mais facilidade”, recorda-se.


Ex-craque do Noroeste e do Palmeiras, Picolé, 59 anos, compartilha da mesma opinião. “Trazer a ‘Lei do Passe’ para o Brasil, na minha opinião, foi um erro, pois basearam-se na realidade dos Estados Unidos, onde os atletas que chegam aos grandes times tiveram respaldo do governo. Isso não acontece aqui”, declara.


‘Seleção inexperiente’


Novamente, a seleção brasileira deixou a desejar, após perder para o Paraguai nos pênaltis e ser eliminada da Copa América do Chile nas quartas de final. Para o ex-craque Tupãzinho, Dunga não merecia assumir o posto pela segunda vez.


“Eu vejo mais como uma jogada de marketing, pois outros treinadores no Brasil estão mais aptos. Eu vi uma seleção inexperiente. Faltou planejamento e colocar em campo jogadores com mais bagagem. Definitivamente, o grupo não estava preparado para a Copa América”, acrescenta.


Tupãzinho


Pedro Francisco Garcia, o Tupãzinho, começou a jogar com 16 anos no São Bento de Sorocaba, em 1987. Três anos depois, assinou com o Corinthians, time que defendeu até 1997. Ele marcou o gol na final do Brasileirão de 1990 contra o São Paulo, que deu a vitória por 1 a 0 e a conquista do primeiro título nacional ao Timão. Passou também pelo Fluminense, em 1997, depois Matonense, XV de Piracicaba, América-MG, Caldense e Paranavaí, onde se aposentou em 2004. Hoje é vereador em Tupã, sua terra natal.


Picolé


José Manoel Ricardo, o Picolé, começou a jogar com 17 anos pelo Noroeste, em 1973. Três anos depois assinou com o Palmeiras, time que defendeu até 1979. Jogou ao lado de um dos grandes ídolos palmeirenses, Ademir da Guia. De 1979 a 1988, defendeu o Puebla do México. Um ano depois, tornou-se treinador do Passo Fundo-RS e dirigiu outros clubes do Sul do País. Hoje, atua como intermediário de jogadores e trabalha em um projeto para formar equipes sub-17 e sub-20 em Pirajuí, sua cidade natal.

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