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Vermelho (de vergonha)

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

De tão virtual, virou real. Os ataques racistas contra a apresentadora Maria Júlia Coutinho, lamentavelmente, são quase comuns na rede mundial de computadores - e fora dela. Minha preocupação adicional é de isso seja sintoma de uma geração deturpada. Não a geração inteira, claro, mas uma perigosa parte dela.


A apresentadora teve grandeza ao lidar com a questão, mas nem sempre é assim. Sequer é possível imaginar o que ataques repletos de raiva e preconceito podem ocasionar nos atingidos. E isso não tem nada a ver com o fato de, hoje, ser tudo “politicamente correto”. Tem a ver com o ódio em forma de gestos e palavras.


É estranho porque, ainda que a história humana seja cíclica, fica difícil imaginar que, de alguma forma, estamos aqui, em partes dos EUA e outras do planeta, voltando a um horrível período de julgamentos à flor (e cor) da pele. Seriam os “racistinhas” de plantão a semente de seres em retrocesso? Teremos logo logo, também aqui no pacífico Brasil, enfrentamentos físicos de ordem racial?


Precisamos cuidar da educação de nossas crianças, bombardeadas por informações de todos os lados. Cuidar com lupa, limites, radar e binóculo. E deveriam, os autores de ataques racistas, adotar o “vermelho-vergonha” como cor de sua vergonhosa bandeira.


Já temos problemas atuais demais para nos preocuparmos com lampejos de discriminação sessentista. E também não devemos tolerar impunidades e afagos nos cabelos bem cuidados de gente péssima. Não preciso aqui ficar pesquisando no Google ditados e tratados sobre o absurdo que é o racismo. Já fico feliz em ter essas linhas (pretas) para propagar minha singela contribuição.


E, de novo, vamos ficar de olho dentro das nossas próprias casas, agora, casas do mundo, conectadas com tudo de bom e de ruim. Vai aqui meu abraço invisível para Maria Júlia e seus familiares. E fica essa frase de ontem, da própria Maria Júlia, em seu Facebook, cujo autor deve ser Bob Marley ou um desconhecido preocupado: “Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra”. Vale o alerta para que a sociedade fique atenta. Mas não adianta olhar para os lados e achar que o problema é com os outros: a sociedade somos nós.


O autor é editor executivo do JC

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