João Rosan |
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Você conhece um bar-loja? No Santa Edwirges, o comerciante Valdir Reis tem um |
Visualmente é possível notar a divisão. De um lado as mesas, o balcão, as geladeiras e até as propagandas na parede anunciam o bar. Do outro, as organizadas prateleiras com calçados e araras com roupas ‘vendem’ a loja. Dois universos distintos no mesmo ambiente. “Sucesso”, garante o comerciante Valdir dos Santos Reis.
Assim como o estabelecimento de Valdir, que fica no cruzamento das ruas Airton Bush e Engenheiro Paulo Frontin, no Santa Edwirges, é comum que pequenos comércios de bairros diversifiquem seus negócios e ofereçam variados produtos e serviços para aumentar a renda e atender a demanda dos moradores.
No caso do comerciante do Santa Edwirges, o bar veio primeiro, há uns sete anos. “O salão é grande. Eu já construí dessa forma pensando em montar uma boa loja, mas o capital era curto, então comecei com o bar”, lembra.
Segundo Valdir, a intenção é ampliar a loja aos poucos, que já conta com roupas, sapatos e acessórios diversos, como bonés, cintos, óculos escuros, entre outros. “Mas a iniciativa de unir o bar e a loja deu certo”, garante.
Entre uma cerveja e outra
Entre uma cerveja e outra, é comum que os clientes acabem levando os artigos da loja. “O que não é difícil de acontecer é o marido brigar com a esposa e vir para o bar. Chegando aqui, ele toma uma cerveja, se acalma e compra um presente para fazer as pazes”, conta, bem-humorado.
Realmente, é possível encontrar “de tudo um pouco” nos pequenos comércios de bairros. A criatividade corre solta quando o assunto é o verbo vender. Percorrendo os quatro cantos da cidade, a equipe do JC nos Bairros encontrou um açougue e marmitaria no mesmo espaço, um bar que vende móveis usados, uma loja de presentes/quitanda, um bar que é um pouco mercearia e até farmácia, e pequenos espaços que vendem de tudo.
Quando o verbo é vender, a palavra de ordem é criatividade
Brinquedos, roupas, acessórios e... verduras!
João Rosan |
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“Brinquedos e frango caipira congelado? Na loja da Baiana tem”, diz a vendedora Simone Silva.
Entre roupas, acessórios, brinquedos e artigos para presentes, lá estão eles, fresquinhos e colhidos direto da horta. Uma pequena quitanda foi instalada na porta da loja da família de Simone de Souza Silva, na quadra 1 da avenida Airton Busch, no bairro Santa Edwirges.
A loja da Baiana, como é conhecida a proprietária e mãe de Simone, dona Dalva de Souza Silva, começou como uma barraca montada para a venda de roupas. A varanda do imóvel foi reformada e virou loja de roupas e brinquedos. “O que acontece é que meu padrasto arrendou uma chácara para o plantio de verduras e legumes. E estamos vendendo o que ele cultiva para aproveitar o espaço. Nossa intenção é, aos poucos, ir diminuindo os produtos de presentes para ampliar a quitanda”, comenta Simone.
Mas, por enquanto, é possível comprar de brinquedos a legumes e verduras frequinhas, além de polpa de frutas e frango caipira congelado na loja da Baiana.
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João Rosan |
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Para aumentar a renda, Valdinéia Alves vende móveis usados na calçada do bar
Vai uma cervejinha e um móvel usado aí?
No bar da Néia, localizado na quadra 2 da avenida das Bandeiras, na Vila Industrial, não falta cerveja gelada, como deve ser, mas também não faltam opções de móveis usados. “Eu tenho o bar há dois anos, apenas. Antes era um brechó, onde eu também vendia móveis usados. Veio o bar e os móveis continuaram. Eu compro, faço os reparos necessários e revendo”, comenta Valdinéia Alves, a Néia.
De acordo com a comerciante, apenas o bar não é suficiente para pagar as contas. E, no meio do estabelecimento, mais uma curiosidade: um varal onde ela pendura capas para controles remotos e máquinas de lavar. “Ah, precisamos sobreviver, né? E também vendo ovos caipiras, viu!”, finaliza.
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João Rosan |
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Em poucos metros quadrados, Alison Sanches da Silva oferece vasta gama de produtos
De tudo um pouco
Quem nunca disse ou ouviu a frase “tem de tudo um pouco”? A expressão se encaixa perfeitamente na venda ou minimercado de Alison Sanches da Silva. Ovos, doces, produtos de limpeza, embalagens, temperos... Dá para encontrar uma vasta gama de produtos nos poucos metros quadrados da loja localizada na quadra 3 da rua Olegário Machado, na Vila Souto. Embora tenha como vizinho uma das lojas de uma grande rede de supermercados bauruense, o comerciante se garante diversificando as marcas: “Eu trabalho com marcas mais populares, mais baratas mesmo, o que atrai o consumidor”, comenta.
O carro-chefe das vendas do comerciante sempre foram os ovos, que vêm da cidade de Bastos. Inclusive, sua loja era só de ovos quando ele abriu as portas, há 12 anos. “O que acontece é que meu sogro sempre trabalhou com supermercado no Jardim Bela Vista, e me apresentou aos fornecedores. Fui ampliando a oferta de produtos e vi que deu certo. Estou bem satisfeito aqui”. O pequeno comércio de Alisson guarda algumas características dos estabelecimentos do passado. Sem funcionários, ele é o dono, o gerente e o vendedor. E fecha para o almoço. “A única coisa que mudou é que não faço mais fiado”, garante. |
Alex Mita |
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“Temos de alimentos a material de construção”, garante a comerciante Maria das Graças Lima da Silva
‘Não é preciso sair do bairro’ No Núcleo Gasparini, os moradores podem encontrar “tudo” o que precisam no comércio de Maria das Graças Lima da Silva, na quadra 3 da rua dos Ferroviários. “E dá para encontrar mesmo”, garante Gracy, como é conhecida a comerciante.
Arranjos de flores e outros presentes, serviço de xerox, itens de papelaria, brinquedos, pequenos eletrodomésticos, panelas, artigos de cama, mesa e banho, material de armarinho, ferramentas para jardinagem, material para construção e minimercado com alimentos diversos. A lista dos produtos oferecidos por Gracy é extensa. Segundo ela, tudo começou com um magazine e papelaria. Mas a necessidade dos próprios moradores foi o incentivo para ampliar a oferta dos produtos. O negócio de Gracy nasceu há 26 anos, quando ela mudou de São Paulo para Bauru. Já a parte de supermercado é bem mais recente. “O que acontece é que o bairro é distante do centro comercial da cidade. Muita gente não tem carro e depende de ônibus. Além disso, é preciso percorrer uma distância considerável até o Centro. Por exemplo, ninguém tem que sair do bairro se precisar de uma agulha ou outra coisa de loja de aviamento, ou então um conector de cano. São itens baratos, específicos, mas que são vendidos por aqui”, comenta. |
Alex Mita |
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No boteco de Rosângela Simas tem de cerveja gelada a papel higiênico
É bar, mas também pode chamar de mercearia A fachada do boteco de dona Rosângela Maria Simas Jatobá já avisa: o bar é também mercearia. Isso mesmo! Por lá, além de cerveja gelada e o tradicional rabo de galo, os clientes podem comprar de ovos fresquinhos a papel higiênico.
Assim que o bar da família do Mary Dota foi montado, há oito anos, os produtos de mercearia foram ganhando destaque nas prateleiras ao lado das garradas de bebidas, isso porque, segundo a comerciante, as pessoas procuravam por coisas diferentes. “E também não dá para viver só da venda de cerveja”, frisa. Por lá, é possível encontrar produtos dos mais diversos: itens para a limpeza da casa, objetos de papelaria, como canetas, borracha para vedar a panela de pressão, e muito mais. “A gente salva muitos moradores que precisam desses produtos quando os supermercados estão fechados. Precisando, tem aqui”, garante dona Rosângela.
Mas não para por aí. Quem é pego de surpresa por uma dor muscular ou de cabeça, por exemplo, pode encontrar analgésicos no boteco. Chupetas também estão disponíveis, como nas farmácias. Outra curiosidade do lugar está sobre o balcão, que abriga os tradicionais doces de bar, mas também as cartelas de ovos - vendidos, inclusive, por unidade. “Tem gente que leva de cartela, mas muitos outros compram por unidade. Cada ovo custa R$ 0,50. Nos fins de semana a diversidade aumenta, porque vendemos feijoada, frango e carnes assadas”, enumera. |
João Rosan |
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Entre o açougue e a marmitaria vive a família de Ivanilza da Silva
Do açougue para a marmita No Jardim Brasil, um estabelecimento comercial em especial chama a atenção pela fachada que remete às décadas passadas e pelos produtos oferecidos. Trata-se do açougue e marmitaria da família de dona Ivanilza Souza da Silva. Carne fresca para o almoço ou a comida pronta? Lá, há as duas opções para os fregueses que acompanham a família há mais de 30 anos.
Primeiro veio o açougue, em 1974. Alguns anos depois, a marmitaria foi aberta para atender a demanda dos universitários, principalmente, segundo a comerciante. “O bairro abriga muitos estudantes. Então aproveitamos esse público e a carne do açougue para abrir a marmitaria. É tudo mais fácil. Pegamos a carne de um lado e preparamos do outro”, diz, bem-humorada. O estabelecimento é dividido em dois, na quadra 3 da rua Irmã Arminda. De um lado o açougue, e do outro a cozinha e o balcão onde as marmitas são entregues. Entretanto, a fachada é uma só e as placas com as ofertas de cortes de carnes e os pratos do dia da marmitaria, também.
“Trabalhamos em família. Pelo menos seis pessoas. Também moramos no bairro e muitos clientes são os mesmos desde a fundação do estabelecimento. Meu marido, por exemplo, vive neste imóvel há 65 anos”, conta.
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