Polícia

Limpador de para-brisa ataca condutor em semáforo

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Samantha Ciuffa

Motorista olha o vidro danificado de seu veículo; em acesso de fúria, limpador desferiu golpe com faca

Um construtor de 49 anos que seguia em seu carro na companhia da esposa e da filha, de 13 anos, foi abordado, ameaçado e teve seu veículo danificado com uma faca por um limpador de para-brisa, na noite da última sexta-feira (3), na região central de Bauru. O fato ocorreu depois que ele negou o serviço oferecido pelo limpador enquanto aguardava a abertura do semáforo no cruzamento da rua Gustavo Maciel com a avenida Duque de Caxias.


O autor, Robson Lopes, de 35 anos, já era procurado por roubo na cidade e acabou preso horas depois.


O caso levanta novamente a discussão sobre a coação nos semáforos em Bauru, que foi alvo de reportagens do JC e recebeu ações específicas por parte da Polícia Militar (PM) no ano passado. Após o caso, a PM diz que irá direcionar novamente algumas ações no semáforo.


Abordagem


João Geraldo Ferreira conta que seguia com a família para casa, em sua Perua Ford Escort, quando reparou a presença do limpador, que oferecia o serviço para o condutor de um carro que estava parado a sua frente.


“A pessoa não quis e ele partiu em nossa direção e começou a me oferecer a limpeza, mas eu fiz sinal que não queria”, lembra.


O condutor diz que, em seguida, o rapaz teve um acesso de fúria e passou a proferir ameaças, mesmo com os vidros do carro fechados.


“Foi quando minha filha viu que ele estava com uma faca nas mãos e começou a gritar para nos alertar. O semáforo abriu, eu engatei o carro e ele deu uma facada no meu vidro. Por sorte, o insufilm segurou, senão ele poderia ter me ferido”, conta o construtor.


Assustada, a família seguiu para casa. Cerca de uma hora e meia depois, João voltou ao local do crime e percebeu que o acusado permanecia abordando pessoas no semáforo. Ele acionou a Polícia Militar.


Prisão


Abordado por policiais, Robson Lopes teve a faca apreendida e foi encaminhado para a Central de Polícia Judiciária (CPJ).


Durante o registro do boletim de ocorrência que tratou da ameaça, do dano e apreensão da arma branca, a polícia descobriu que Robson Lopes era procurado desde maio deste ano por roubo. “Havia um mandado de prisão contra ele. Na sequência do registro, ele foi preso como capturado e conduzido para a cadeia de Avaí”, comenta o delegado coordenador da CPJ, Luiz Roberto Saud Bertozzo.


Problema crônico


Em maio do ano passado, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) pediu para que a PM monitorasse o grupo de adultos que permanecia nos cruzamentos da cidade oferecendo serviços de limpeza de para-brisas de veículos, após grande queixa de motoristas que reclamavam da agressividade de algumas abordagens.


A ação culminou com a implantação de um grupo de trabalho formado por policiais militares da atividade delegada e por agentes da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) – já que o subemprego e a vulnerabilidade são problemas sociais. O grupo tinha como missão abordar e orientar os limpadores sobre os riscos de perambular entre os carros até sobre serviços assistenciais existentes no município.


Vai intensificar


A atividade com foco específico nos semáforos, no entanto, não durou por muito tempo, já que os limpadores acabavam se dispersando para outros locais ao notarem a presença dos policiais.


“Essas abordagens são feitas hoje pelo pessoal que atua no patrulhamento rotineiro”, comenta o major João da Costa Duarte, coordenador operacional do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I). “Mas vamos solicitar o direcionamento para uma atuação maior nos semáforos novamente, com intuito de evitar que os cidadãos sejam vítimas de casos como este”, completa o major.


‘Não é lugar de trabalho’


Secretária do Bem-Estar Social de Bauru, Darlene Tendolo diz que o município possui toda infraestrutura para atender a população que hoje permanece realizando serviços nos semáforos e que as buscativas continuam sendo realizadas dia e noite nesses locais.


“Semáforo não é local de serviço, o motorista não deve consumir nada lá. Ao sentir-se intimidado ou coagido, a melhor solução é ligar para o 190 ou acionar o Conselho Tutelar, caso a pessoa seja menor de idade”, frisa Darlene. “A maioria dessas pessoas que estão lá vem de fora de Bauru. Alguns até aceitam ajuda, mas não podemos obrigar ninguém a nada”, reforça Darlene.

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