Regional

Empresa propõe reduzir jornada e salário em 20%

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Neide Carlos/Arquivo

Caio Induscar apresenta proposta de redução de salário e jornada para evitar novas demissões na fábrica de ônibus em Botucatu

A Caio Induscar, fabricante de ônibus de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), apresentou proposta de redução de 20% na jornada de trabalho e salários dos seus cerca de 3 mil funcionários. Segundo a diretoria, a medida é motivada pela crise financeira que o país enfrenta e representa uma alternativa às demissões. Nessa segunda-feira (6) à noite, o sindicato da categoria discutiu a proposta com os trabalhadores (leia mais abaixo). A votação está marcada para esta quarta-feira (8).


No Acordo de Redução de Jornada, divulgado no dia 3, a diretoria da Caio Induscar propõe diminuir em 20% a jornada de trabalho, com folga às sextas-feiras, e, por consequência, o salário dos funcionários de todos os setores (administrativos e fabris), de todos os níveis hierárquicos, de todo o Grupo Caio Induscar.


A mudança vale por três meses, a partir de 17 de julho, e pode ser prorrogada por mais 90 dias. Durante esse período, os trabalhadores terão estabilidade de emprego. Segundo a empresa, a proposta será reavaliada à medida em que houver maior volume de vendas e de disponibilidade de chassis.


Para tornar a redução “atrativa”, a Caio Induscar assume o compromisso de adiantar a primeira parcela do 13º salário, paga em três vezes, e de tentar negociar os prazos dos empréstimos consignados feitos por seus funcionários junto aos bancos conveniados.


De acordo com a empresa, o plano de saúde, alimentação, transporte, dentista e fisioterapeuta na empresa serão mantidos.


“É mais prudente reduzir o salário em 20% do que ficar sem emprego e sem os benefícios, principalmente num momento complicado da economia, quase sem oferta de empregos”, declara.

 

Tentativas


Em nota, a Caio Induscar diz que, antes de apresentar a proposta, adotou medidas para tentar manter os postos de trabalho, como compensação da semana do carnaval, emenda de feriados e concessão de três períodos de férias coletivas, em dezembro de 2014 e fevereiro e junho deste ano.


“Mesmo com todas essas ações, infelizmente tivemos que fazer demissões, procurando analisar caso a caso (se era aposentado, se tinha outra pessoa da família trabalhando aqui, se tinha filhos, etc”, informa. A reportagem apurou que, só neste ano, 950 funcionários foram demitidos. “Nosso quadro ficou estruturado para a fabricação de 21 carrocerias/dia ou 105 unidades por semana. Porém, não estamos alcançando este número. Nossa produção atual está em torno de 80 carrocerias por semana”, revela.


Medida legal


Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Botucatu e região, Miguel Ferreira da Silva, a redução de jornada está prevista em lei. Ontem à noite, a proposta foi discutida com a categoria e, amanhã, ela será votada na Caio Induscar.


Se aprovada, a medida atingirá, além de Caio Induscar de Botucatu e Barra Bonita, as empresas Fiberbus (de peças de fibra); Inbrasp (de peças de plástico); Tecglass (de vidros); CPA (Centro de Processamento de Alumínio) e GR3 (Centro de Distribuição de Alumínio).

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