João Rosan |
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Boicote ou desinformação? Na E.E. Christino Cabral, nenhum aluno compareceu nessa terça-feira (7) à noite |
Passado o período de greve dos professores das escolas estaduais, chegou o momento de contabilizar o prejuízo. Em Bauru, alunos de seis escolas estaduais terão, em média, uma semana de férias, ao invés de um mês, para que haja a reposição do conteúdo perdido ao longo dos 92 dias de paralisação. Essas mesmas unidades, que estão abertas desde a última segunda-feira (6), são justamente as que tiveram maior adesão dos docentes ao movimento.
Mas não são as únicas: das 51 escolas estaduais de Bauru, outras 23, que atendem milhares de estudantes, também terão o período de férias e recesso – que vai de 3 de julho a 3 de agosto -, interrompido pelas reposições, que ocorrerão em datas diferentes, tendo duração de duas ou uma semana (veja mais no quadro abaixo; no final).
Embora criticada por grande parte dos alunos, as reposições das aulas, contudo, devem garantir que o conteúdo atrasado seja continuado pelo próprio professor da disciplina. Com isso, será diferente do que ocorreu com escolas que, durante o período de greve, contrataram professores eventuais e substitutos, desenvolvendo apenas a competência e a habilidade previstas na aula, deixando para trás o conteúdo de fato.
As reposições
Dirigente regional do Ensino em Bauru e mais 15 cidades, Gina Sanchez explica que os alunos do 6.º ao 9º. ano foram os mais afetados pela greve.
Por outro lado, a diretoria regional de Ensino minimiza o movimento apontando participação efetiva de apenas 2% dos professores da rede na greve.
“Em Bauru, nós não tivemos nenhuma escola com 50% ou 100% de paralisação. Por isso, só algumas turmas irão repor conteúdos”, frisa Gina. “As escolas em reposição ficarão abertas o mês todo, mas não teremos aulas todos os dias e nem os mesmos alunos frequentando as reposições. Nenhum estudante ficará sem descanso de, no mínimo, uma semana que seja”, completa a dirigente.
Ainda segundo ela, as disciplinas serão ministradas pelos professores grevistas. “As aulas serão efetivamente repostas, não haverá atividade referenciada”, detalha Gina.
Horário condensado
Cada unidade escolar ficou responsável por condensar as disciplinas perdidas pelas turmas em horários especiais, de modo a reduzir o tempo que o aluno permanecerá na unidade durante as férias.
A pasta também diz que garantiu aos alunos em reposição a merenda e o transporte escolar durante os dias em que houver aula nas unidades estaduais de ensino.
Nenhum aluno
Na noite dessa terça-feira (7), na E.E. Christino Cabral haveria reposição para turmas do 2.º ano do Ensino Médio, mas nenhum aluno compareceu, conforme o JC apurou no local.
“Não é justo ficar sem férias. Ficamos quase todos os dias da greve no pátio sem aula. E quando tinha alguma coisa, era sempre de outra disciplina nada a ver”, reclama uma estudante de 16 anos, aluna do 2.º ano na E.E. Stela Machado, que pediu para ter a identidade preservada.
Substituição de professor pode trazer perda de conteúdo para o estudante
A reposição de aulas nas unidades do Estado é concedida apenas para as disciplinas não ministradas por professores substitutos no dia em que a falta é registrada. Segundo a Secretaria de Educação do Estado, estes profissionais são abastecidos com os planos de aulas e materiais didáticos.
No entanto, não há nada que obrigue que o conteúdo seja ministrado, caso o profissional acionado seja de outra disciplina.
“Quando isso ocorre, ele trabalha desenvolvendo a competência e a habilidade do aluno naquela aula com outros tipos de atividades”, afirma Gina Sanchez.
A DRE não possui levantamento das substituições feitas em Bauru.
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