Articulistas

Migração

Iolanda Toshie Ide
| Tempo de leitura: 2 min

A vinda de imigrantes japoneses ao Brasil não se deu sem conflitos. Os debates na Câmara revelam forte xenofobia, mas os interesses de produtores de café, refletidos na Secretaria da Agricultura, falaram mais alto. Difícil entender como o Japão, tendo saído vencedor na guerra contra a Rússia, enviou emigrantes para trabalhar , em degradantes condições, na lavoura de café, a parti de 1908. Tratava-se de pessoas alfabetizadas, leitoras, nem todos agricultores, mas carpinteiros, marceneiros, ceramistas, costureiras, fotógrafos, vitralistas, artistas, além de engenheiros, tradutores, médicos, poetas, pintores ... Convém lembrar que, ao investir fortemente na ação bélica, a população civil foi gravemente afetada a ponto de empobrecer de tal forma que se sentiu forçada a emigrar.


A maioria da população imigrante, não só a japonesa, engendrou condições de sobrevivência e se radicou definitivamente e incorporando-se à sociedade brasileira.  Embora em condições desfavoráveis, imigrantes aqui se adaptaram e contribuíram para a construção de uma sociedade mais plural. Vieram como imigrantes para conquistar uma vida melhor, mas os refugiados, para salvar suas vidas em perigo. Conflitos, invasões, desastre climáticos, epidemias têm forçado milhões de pessoas a buscar refúgio em outros países. Em todo mundo, segundo a ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), em 2014, 59,5 milhões de pessoas foram forçadas a emigrar para salvar suas vidas: mais do que a população da Inglaterra.


A maioria dos refugiados do mundo se dividem em três nacionalidades: sírios (3,88 milhões, ou um em cada cinco refugiados), afegãos (2,59 milhões) e somalis (1,9 milhão). A escalada da migração forçada quadruplicou: em 2010, a cada dia quase 11 mil pessoas eram forçadas a deixar suas casas; em 2014, 42,5 mil. Os países que mais recebem refugiados são Rússia e Alemanha, seguidas por Estados Unidos e Turquia.


O Brasil está oferecendo um bom exemplo para os países, sobre uma postura humanitária que entende que essas pessoas estão tentando salvar suas vidas, declarou Andrés Ramirez, representante do ACNUR no Brasil. Desde 2013, o Brasil tem sido um dos principais centros de acolhida para refugiados. Segundo o Ministério da Justiça, os requerimentos de refúgio ao governo brasileiro aumentaram 22 vezes:  de 1165 em 2010 para 25.996 em 2014. Segundo o Ministério da Justiça, o Brasil recebeu 7,7 mil refugiados, vindos de 81 países. A maioria (23%) são procedentes da Síria, seguidas por Colômbia, Angola e República Democrática do Congo. Um belo exemplo não só de tolerância, mas de humanidade, de acolhida.


A autora é professora aposentada da Unesp, colaboradora de Opinião

Comentários

Comentários