Política

3 bairros são campeões de reciclagem

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

As regiões do Jardim Estoril, Parque Vista Alegre e Jardim Bela Vista são as que mais contribuem para a reciclagem de lixo em Bauru. Segundo dados da Emdurb, elas respondem, sozinhas, por cerca de 8% do material recolhido pelo serviço de coleta seletiva em toda a cidade. O campeão entre os maiores recicladores é o Jardim Estoril, com 7,69 toneladas de lixo separadas no mês passado. Em seguida, vem o Parque Vista Alegre, com 5,36 toneladas e o Bela Vista, com 3,03 toneladas.

Ao todo, em junho, foram 209 toneladas de materiais encaminhados para reciclagem em Bauru. No primeiro semestre, o volume foi de 1.280 toneladas, montante 18% maior do que o coletado no mesmo período do ano passado.

Para o gerente de resíduos sólidos e ambiental da Emdurb, Nivaldo Aparecido Rio Peres, não há explicações precisas para o desempenho acima da média destes bairros, mas um argumento plausível é o fato do Vista Alegre e Bela Vista serem regiões antigas e populosas. “Além de terem concentração maior de moradores, muitos são idosos. Pode ser que a faixa etária interfira no nível de conscientização”, pontua. Já  no Estoril, o maior nível de renda, escolaridade e instrução sobre a importância da reciclagem parecem ter contribuído para o resultado.

Mas o volume de materiais recicláveis recolhidos em Bauru é muito pequeno - representa menos de 3% de todo o lixo coletado. Mesmo com a elevação da quantidade de resíduos coletada entre o ano passado e 2015, cooperativas como a Cooperbau, alegam estar subutilizadas (leia mais abaixo).

Metas

No curto prazo, a Emdurb já manifestou o desejo de elevar o índice de coleta seletiva para 10% do total de resíduos produzidos por Bauru e, até 2018, chegar a 20%. Para tanto, a intenção é lançar, dentro dos próximos 15 dias, uma campanha nos setores já cobertos pela coleta, com o objetivo de conscientizar um maior número de moradores a separar o lixo. “Trata-se de uma das ações previstas no cronograma que apresentamos à Cetesb para prolongar a vida útil do aterro sanitário”, comenta a secretária do Meio Ambiente (Semma), Lázara Gazzetta.

Representantes da Cootramat e da Coopeco foram procurados pela reportagem para que falassem sobre o assunto, mas não foram localizados.


Cooperativa reclama  da ação dos informais

No mês passado, cada cooperado da Cooperativa de Recicladores de Resíduos de Bauru (Cooperbau) faturou apenas R$ 450,00. O valor, abaixo até mesmo do que um salário mínimo, é reflexo da baixa quantidade e qualidade de materiais que têm chegado ao barracão, segundo argumenta Richard Apolonio Santos, pesquisador ambiental e apoiador do trabalho da entidade.

“Clandestinos pegam o material nas ruas, antes da coleta feita pelos caminhões da Emdurb. E eles selecionam os itens mais caros, como papelão e alumínio. O que chega à cooperativa acaba rendendo pouco”, pontua.

Questionada, a Emdurb informou que não tem como impedir a ação dos informais - até porque, de uma forma ou de outra, o material será destinado à reciclagem. Para que os cooperados não continuem sendo prejudicados, Santos pede para que a população, dentro do possível, encaminhe resíduos ao barracão da cooperativa, na quadra 1 da alameda Aquidauana, na Vila Dutra.


Reciclar é preciso

Faz quatro anos que Mara Regina Dias Augusto, 47 anos, inseriu a separação do lixo reciclável em sua rotina diária. Moradora da região do Estoril, a bancária foi uma das pessoas que encabeçou, à época, a implantação da coleta seletiva no prédio onde vive.

“Entendemos que é uma forma de contribuir para a preservação do meio ambiente”, destaca. Mesmo com a divulgação realizada no edifício, ela conta que nem todos os moradores aderiram à iniciativa. “Até hoje, há quem resista e jogue o lixo reciclável na mesma lixeira do orgânico”, pontua.

Estes, segundo Mara, felizmente são exceção, embora também existam condôminos que não seguem todas as recomendações para o aproveitamento máximo dos materiais. “Muitos ainda deixam as embalagens sujas com resíduos orgânicos, o que leva, muitas vezes, ao descarte do material (pelas cooperativas)”, pontua.


Investimentos

De acordo com Lázara Gazzetta, a Semma também está investindo em melhorias nas três cooperativas de materiais recicláveis existentes no município. “Na mais antiga, a Cootramat (Cooperativa dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Bauru), fizemos a pavimentação de toda área interna. Também expandimos os barracões e vamos mudar o sistema de logística das prensas. Adquirimos uma esteira nova e outra ainda vai chegar, por meio de uma parceria com o Banco do Brasil”, detalha, acrescentando que a Cooperativa Ecologicamente Correta de Materiais Recicláveis de Bauru (Coopeco) também já conta com nova esteira e terá o barracão expandido.

 

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