João Rosan |
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Roseli é quem coordena entregas; ao lado, o pizzaiolo Eliceis |
Usado normalmente para criticar a inércia política, o trocadilho com a expressão “tudo acaba em pizza” em nada se compara com o esforço rotineiro de quem se dedica à arte de fazer e, principalmente, entregar uma pizza gostosa, bonita e quentinha ao cliente. Primordial na última etapa deste processo, voltado aos clientes que preferem não ir ao restaurante, o desempenho dos entregadores é o que garante a venda da pizza e, acima de tudo, a satisfação do consumidor final.
Hoje, no Dia da Pizza, três profissionais que atuam há anos no ramo em Bauru conversaram JC sobre esta profissão, repleta de desafios e que esconde curiosidades.
‘O voo no buraco’
Há 25 anos, a rotina de Paulo Gilberto Vera Cruz, 50, começa ao anoitecer. Das 18h às 24h30, ele trabalha como entregador em uma pizzaria no Jardim América. Considerado pelos colegas a voz da experiência, ele lembra as situações que viveu ao longo de tantos anos entregando pizzas na cidade.
“Desviar dos buracos sempre foi o maior dos desafios”, fecha questão, elencando que, para que a pizza seja entregue com qualidade, é preciso andar na velocidade permitida e desviar de fissuras no asfalto para evitar que os ingredientes saiam de lugar.
Na sequência, ele conta uma situação vivida há alguns anos. Na época, as pizzas eram colocadas em baús acoplados nas motos, ao invés de mochilas nas costas dos motociclistas.
“Ao passar em um buraco a pizza voou longe, mas só fui perceber quando cheguei na casa do cliente e vi que não tinha nada lá dentro, foi um desespero na época”, lembra Paulo, rindo da situação desastrosa no passado. “Já entreguei pizza para apresentadores de TV, cantores, artistas, prefeito...”, enumera.
Entre as situações mais embaraçosas, ele destaca uma ocorrida há anos, quando chegou a ser convidado por um cliente para degustar a pizza. “Foi engraçado e embaraçoso, mas não descanso em serviço. Tinham várias entregas na bolsa”, relembra.
Olha a gorjeta!
Também entregadores de pizza, André Fernando da Silva, 28, e Renato Souza de Carli, 34, destacam a atenção como ponto primordial para não confundir os pedidos, que são cerca de 150 em noite comum, de dia de semana. “Damos prioridade para a qualidade, não para o volume das entregas”, frisa Renato, que trabalha há oito anos. “Até porque se a pizza estiver revirada na caixa, o cliente devolve”, diz André.
Nenhum dos três entrevistados disseram ter sido vítimas de assaltos recentemente ao longo da jornada.
Pelo contrário, tanta dedicação costuma ser valorizada algumas vezes. “Alguns clientes costumam nos dar caxinhas (gorjetas). Às vezes, sai até briga dependendo de quem for atender ao pedido”, brinca André. Mas a “briga” até que é compreensiva, já que os valores da gorjeta na pizzaria da zona sul costumam variar de R$ 5,00 a R$ 30,00.
Mas tanto trabalho e correria dependem de uma boa coordenação, serviço que Roseli Aparecida da Silva, 49 anos, responsável pelas entregas na pizzaria do Jardim América, tira de letra. “Aqui, prezamos pela qualidade e técnica. É do forno para mochila do entregador”, conta.
Pizza em Bauru
Por ano, quase 2 milhões de unidades saem dos fornos das 57 pizzarias registradas na Prefeitura de Bauru, segundo projeção feita pelo Jornal da Cidade em reportagem sobre o assunto publicada em julho de 2014, com base na produção de alguns dos principais estabelecimentos. Se considerada a estimativa do IBGE de 360 mil moradores do município, cada um deles devora, sozinho, uma média de 5,5 pizzas por ano (Colaboração Tisa Moares).
Dia histórico
O Dia da Pizza é comemorado desde 1985 em São Paulo. A data foi instituída pelo então secretário de Turismo, Caio Luís de Carvalho, por ocasião de um concurso estadual que elegeria as 10 melhores receitas de muçarela e marguerita. Empolgado com o sucesso do evento, ele escolheu a data de seu encerramento, 10 de julho, como data oficial de comemoração da iguaria. Acredita-se que os egípcios tenham sido os primeiros a misturarem farinha com água. Outros dizem que os gregos tenham descoberto a tal massa, que depois acabou se difundindo, principalmente, pela Itália e, posteriormente, pelo mundo.
