João Rosan |
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'Eu sempre achei que estudar nunca é demais, conhecimento nunca é demais’ - Ieda Maria de Souza |
Formada em Relações Públicas pela Unesp-Bauru, Ieda Maria de Souza nunca se limitou a atuar apenas em sua área de origem. Trabalhando em diversos setores, hoje ela preside o Conselho Tutelar 2 de Bauru, mas já passou por muitas empresas, desde indústrias até a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), e desde o começo deste ano também apresenta um programa de televisão, o ‘Ieda Maria Entrevista’, na TVC (canal 13 da Net).
Atualmente com 51 anos e uma filha, Ieda começou a trabalhar na Apae aos 15 anos. Depois foi para a Anderson Clayton, Kraft Foods (atual Mondelez Internacional), Cesp, Editora Alto Astral, Cips e Jornal Bom Dia, entre outros. Vendeu tortas e fez três pós-graduações: em marketing pela FGV, em gestão de pessoas pela Faap e em educação ambiental na Faculdade São Luís, de Jaboticabal, além de um curso de Linguagem Brasileira de Sinais (Libras).
Com uma filha de 22 anos, ela considera a casa como o melhor lugar para estar, e conta um pouco mais de sua carreira e vida pessoal.
Jornal da Cidade - Como foi o início da sua vida profissional?
Ieda Maria de Souza - Foi aos 15 anos. Eu não tinha nenhuma experiência profissional e nem carteira de trabalho, e fui na Apae pedir emprego. O presidente era o senhor Alberto Segalla, que já faleceu, e era uma grande pessoa. Ele me perguntou se eu tinha experiência, e disse que não, mas que tinha boa vontade e que ele não sabia a profissional que estava perdendo (risos). Ali ele me contratou. Lá, sempre lidava muito com crianças, e eu era meio menina ainda. Tenho lembranças ótimas de lá. Uma delas é de uma pessoa que fazia tratamento e conseguiu voltar a andar sem se apoiar em nada, após uma sessão de fisioterapia. Isso marca demais, tenho essa imagem muito nítida na memória até hoje. E outra coisa que me marcou era o seu Alberto tirando dinheiro do bolso para fechar o mês da Apae, porque sempre faltava. E em uma época em que as famílias tinham muita vergonha de ter um filho excepcional, de uns anos para cá isso melhorou bastante.
JC - Depois, acabou indo para o setor industrial. Como foi essa transição?
Ieda - Na Anderson Clayton tive oportunidade de aprender com pessoas mais velhas. Sempre fui de ouvir muito meu pai, e ele sempre falava isso, para me aproximar dos mais velhos, que sempre teriam boas histórias para contar. Depois na Cesp, eu ouvia muito o seu Carlos Luni. Eu com 19 anos, ele com 60. Eu era a única mulher na subestação de Bauru que tinha periculosidade, era bom porque eu ganhava 30% a mais, aí eu saí da parte de licitação, que era no escritório, e fui para a oficina de manutenção. O chefe era o Carlos Kirchner, que eu considero uma das pessoas mais inteligentes que eu conheci. Eu viajava bastante, porque naquela época a Cesp estava construindo muita barragem e eu tinha que ir para a parte operacional mesmo, entrar embaixo de barragem, tinha a indução, o cabelo ficava em pé, tomava uns choques às vezes (risos), subia em torre de transmissão. Trabalhei ainda na Kraft Foods e na Brahma, em Agudos (atual Ambev). Em 1999, fui trabalhar com o João Bidu na Editora Alto Astral.
JC - Uma das etapas de sua carreira foi na Editora Alto Astral, no setor de relacionamento com o leitor. Como foi o trabalho lá?
Ieda - Eram de 10 a 11 mil cartas por mês, e poucas eram lidas. Quando eu entrei lá, começou esse processo de organizar melhor essa relação com o leitor. As cartas tinham diversos tamanhos, e as pessoas falavam de tudo. Desde gente que pedia uma receita de bolo, até mulheres que se declaravam apaixonadas pelo João Bidu. E foi organizando essas cartas que a empresa percebeu a demanda por novos produtos, como o segmento de culinária, que hoje é bem forte dentro da Alto Astral, e a própria expansão da astrologia, com mais revistas de simpatias, por exemplo. Eu fiquei de 1999 a 2005 na Alto Astral. Foram seis anos muito bons e felizes. Um dos episódios que me marcaram muito lá foi quando um homem ligou desesperado, falando que ia se matar, e queria falar com o João Bidu. Eu o atendi e fui procurar o João, que prontamente atendeu este homem, ficou um bom tempo conversando, falou para ele tirar isso da cabeça, se acalmar. Tempos depois, ele mandou uma carta para a Editora agradecendo a atenção do João, e que aquilo fez a diferença na vida dele. E é assim que o João Bidu trata as pessoas, desde os funcionários até os leitores, e a todos em geral, com muita educação, simpatia e carisma. É uma grande pessoa.
JC - Aliás, você teve outras experiências ao sair da Alto Astral...
Ieda - Sim, fui para a área de qualificação profissional, trabalhei no Cips, e foi muito bom ver jovens saindo de lá e tendo a primeira experiência profissional. Também fazia o trabalho de mestre de cerimônias no Liceu Noroeste, depois fui para o setor comercial do Jornal Bom Dia.
JC - Até torta você vendeu, não é?
Ieda - Foi depois de 2005. Fiquei um tempo sem trabalho, e também tinha me separado recentemente. Precisava criar minha filha. Nessa época, eu fazia tortas salgadas e comecei a vendê-las, e como estava sem carro, alguns iam buscar em casa, para outros eu levava a pé. Eu estava também fazendo minha terceira pós-graduação, e uma pessoa chegou a me falar que para vender salgado na rua não precisava ter pós. Eu sempre achei que estudar nunca é demais, conhecimento nunca é demais. Mas, claro, alguém falar algo assim dói. Mas eu sempre busquei me aperfeiçoar e aprender. Quando eu estava na Kraft, por exemplo, fiz curso de mecânica para entender o funcionamento das máquinas.
JC - Atualmente você é presidente de um dos Conselhos Tutelares. Quais são os desafios que encontrou?
Ieda - Passei no concurso e fui empossada em 2013. O mandato vai até janeiro de 2016, e no dia 4 de outubro deste ano haverá nova eleição, desta vez unificada, em todo o Brasil, para escolher os conselheiros tutelares de cada município. Apenas quem for classificado no concurso poderá ir para a votação, que é facultativa e aberta a todos os cidadãos com título de eleitor naquele município. Bauru tem dois Conselhos, o ideal seria ter três, até quatro, pelo tamanho da cidade, o ideal é um para cada 100 mil habitantes. Nesses quase dois anos, o primeiro impacto que eu tive foi quando tive que ir na maternidade buscar uma criança, porque a família não queria. Eu só tinha ido lá quando tive minha filha, em um momento de alegria. Ali não, era algo totalmente difícil, e você tem que engolir o choro. Peguei a criança e rezei por ela, porque ela não teria ninguém. A gente vê situações que marcam muito. Estamos também trabalhando para aumentar o número de famílias acolhedoras, que é algo que muita gente ainda não conhece, e é importante para dar suporte, elas fazem parte do trabalho dos abrigos. A família não pode estar na fila de adoção e tem que ter uma boa estrutura emocional, porque a criança ficará lá de maneira temporária, conforme a decisão do juiz. Neste período, a família recebe um valor em dinheiro para suprir despesas com a criança. Quanto ao futuro, acho que um grande desafio não só nosso mas de todos é com relação às drogas, é algo que infelizmente se alastrou na sociedade.
JC - Como é a Ieda fora do trabalho?
Ieda - Gosto muito de ficar em casa, é o melhor lugar do mundo (risos). Gosto de cozinhar, cuidar das plantas, meditar. Junto comigo moram minha filha Maísa, que se formou em psicologia, e minha mãe Yolanda. O meu pai, Alcides, que todos conheciam como Mustafá, faleceu há três anos. Em casa acabo fazendo um pouco de tudo, consertando telha, cano quebrado, podando planta. De vez em quando dá errado, como outro dia que acabei cortando um fio e desligando a energia da casa toda, aí tem que chamar um especialista (risos).
Perfil
Nome completo: Ieda Maria de Souza
Idade: 51 anos
Local de nascimento: Bauru
Signo: Peixes (e Dragão no Horóscopo chinês)
Filha: Maísa (22 anos)
Livro: O monge e o executivo, de James Hunter
Filme: À procura da felicidade
Música: Samba
Time de coração: Corinthians
Prato preferido: Lasanha
Para quem dá nota 10: Meus pais
Para quem dá nota 0: Para o preconceito
Contato: iedamariadesouzas@yahoo.com.br
