A Polícia Federal (PF) apreendeu nesta terça-feira (14) durante as buscas e apreensões da Operação Politeia mais de R$ 4 milhões, oito veículos, duas obras de arte, joias, relógios, além de documentos e HD’s de computadores dos investigados. De acordo com o balanço da operação, os investigadores também encontraram US$ 45 mil e 24,5 mil euros. Os locais das apreensões das quantias não foram divulgados pela PF.
Entre os veículos apreendidos, estão uma Ferrari, uma Lamborguini e um Porsche, encontrados na Casa da Dinda, residência particular em Brasília, do ex-presidente da República e atual senador Fernando Collor (PTB-AL), investigado em um inquérito que tramita no Supremo.
A Operação Politeia, nova fase da Operação Lava Jato, foi deflagrada na manhã desta terça-feira, a partir de autorizações de busca e apreensão emitidas pelo Supremo Tribunal Federal. Foram cumpridos mandados em casas, escritórios e empresas de políticos, entre eles os senadores Fernando Collor (PTB-AL), Ciro Nogueira (PP-PI), Fernando Bezerra (PSB-PE), o deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE), o ex-ministro das Cidades Mário Negromonte e o ex-deputado federal João Pizzolatti (PP-SC). As medidas foram requeridas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Collor classificou como "invasiva e arbitrária" a operação da Polícia Federal, que cumpriu um mandado de busca e apreensão nesta terça-feira em seu apartamento em Brasília.
"A defesa do senador Fernando Collor repudia com veemência a aparatosa operação policial realizada nesta data em sua residência. A medida invasiva e arbitrária é flagrantemente desnecessária, considerando que os fatos investigados datam de pelo menos mais de dois anos, a investigação já é conhecida desde o final do ano passado, e o ex-presidente jamais foi sequer chamado a prestar esclarecimentos", diz a nota publicada no Facebook de Collor.
O nome da nova operação, Politéia, em grego, faz referência ao livro "A República" de Platão, que faz referência a uma cidade perfeita, onde a ética prevalece sobre a corrupção, diz a PF.
Para advogado de senador Ciro Nogueira, ação é 'desnecessária'
O advogado do senador Ciro Nogueira (PP-PI), Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, classificou de "desnecessária" a ação de busca e apreensão na casa do senador feita na manhã desta terça-feira (14), em Brasília.
De acordo com Kakay, o senador tem colaborado com as investigações e já apresentou dados bancários, fiscais e telefônicos a investigadores. "Acho ruim que uma medida que era para ser exceção deixe de ser exceção nesses atos de investigação", disse Kakay.
A casa do senador, que é presidente do PP, foi alvo de busca e apreensão conduzida pela PF na manhã desta terça-feira no âmbito da Operação Politéia. Foram cumpridos 53 mandados de busca e apreensão em sete Estados.
As ações foram solicitadas pela Procuradoria Geral da República e autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os mandados são referentes a políticos que são alvo de inquéritos na Corte.