| Alex Mita |
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| Nico Mondelli foi sabatinado por vereadores da Comissão de Obras, na manhã dessa terça (14), no plenário do Legislativo bauruense |
A participação do presidente da Emdurb, Nico Mondelli, na reunião convocada pela Comissão de Obras na Câmara Municipal pode ter tornado mais difícil sua permanência à frente do órgão. Na manhã dessa terça-feira (14), parlamentares constataram que, de fato, a Emdurb omitiu da Casa a informação sobre a locação de tanques para armazenar o chorume gerado no aterro sanitário. Nico apenas reconheceu o erro e se desculpou publicamente.
O acerto pelo aluguel dos reservatórios junto à empresa Euclides Renato Garbuio Ltda foi firmado, sem licitação, no dia 1 de julho, para evitar que a lagoa de chorume transbordasse. A contratação, no entanto, não foi revelada por Nico aos vereadores no dia seguinte, quando foi chamado ao Poder Legislativo para dar explicações justamente sobre a destinação do líquido derivado da decomposição do lixo orgânico.
Até então, o presidente da Emdurb falava apenas sobre os cinco tanques improvisados que haviam sido cedidos gratuitamente pela iniciativa privada, com capacidade de 30 mil litros cada.
Nessa terça, após a revelação da locação pelo Jornal da Cidade do último sábado, Mondelli admitiu que foram alugados oito tanques por conta das chuvas inesperadas durante o início de julho, que tornaram ainda mais crítico o nível da lagoa de chorume.
Argumentos
Pressionado pelos vereadores, o presidente da Emdurb alegou não ter informado os vereadores sobre a locação dos tranques porque, até o dia da reunião, apesar da contratação firmada junto à empresa, não era certa a necessidade de utilização das carretas de caminhão de combustível. “Só precisou na sexta-feira, um dia depois que eu vim falar com a Comissão de Obras”.
Nico, porém, reconheceu sua falha e se desculpou por não ter dado a “publicidade devida” ao caso. “É que estávamos focados em buscar novas alternativas para a destinação do chorume”, alegou.
Diretora de Licitação da Emdurb, Juliana Dionísio pontuou que o aluguel nos tanques não foi publicado no Diário Oficial de Bauru (DOB) porque a providência pode ser tomada até o quinto dia útil do mês subsequente à contratação.
Reações
Alguns parlamentares pontuaram que a locação dos tanques parece ter sido uma alternativa razoável para contornar o problema com o chorume. Contudo, a aparente tentativa de contratar o serviço sem alardes os irritou.
Líder da oposição, Lima Júnior (PSDB) voltou a afirmar que a insatisfação com a Emdurb deixou de ser apenas técnica e passou a ser política: “A confiança foi quebrada”.
Sandro Bussola (PT), que preside a Comissão de Obras do Poder Legislativo, atribuiu a responsabilidade sobre o futuro de Nico na Emdurb ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). “O desgaste na relação está claro. É preciso repensar, inclusive, as diretorias da empresa”.
Durante a reunião, Roque Ferreira (PT) chegou a sugerir a “autoexoneração” do presidente diante da omissão de procedimentos públicos.
Após a arguição, outros parlamentares, nos bastidores, comentavam que a saída de Nico Mondelli parece iminente. Moisés Rossi (PPS), por sua vez, declarou estar ainda mais convicto sobre a necessidade de instauração de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar a gestão na Emdurb. Até agora, apenas Roque e ele assinaram o pedido.
Também participaram da reunião de ontem os vereadores Telma Gobbi (PMDB), Fabiano Mariano (PDT), Artemio Caetano Filho (PMDB) e até o líder do governo no Poder Legislativo, Markinho da Diversidade (PMDB).
Histórico
Em junho, chegou ao fim o contrato da Emdurb com a Monte Azul, que, desde 2012, retirava e providenciava a destinação do chorume do aterro. A Emdurb, no entanto, não providenciou a tempo processo de licitação para evitar a interrupção do serviço e, como revelou o JC, a lagoa que armazena o líquido derivado da decomposição do lixo orgânico corria o risco de transbordar.
O pregão da concorrência só aconteceu no dia 3 de julho e teve a mesma empresa como vencedora. Aliás, os preços do antigo e do novo contratos também são alvo de questionamentos.
Acontece que até hoje o contrato com a Monte Azul não foi assinado e desde o mês passado a Emdurb improvisava o armazenamento de chorume em cinco tanques cedidos gratuitamente pela iniciativa privada. Na última sexta-feira (10), em visita in loco ao aterro sanitário, a reportagem constatou a locação dos tanques.
A esclarecer
Outros questionamentos de vereadores não foram respondidos durante a reunião da Comissão de Obras. Eles ficaram contrariados, por exemplo, pelo fato de Nico Mondelli não saber responder qual foi a empresa que teria cedido gratuitamente os cinco primeiros tanques utilizados para armazenar o chorume.
A dispensa de licitação para o aluguel dos reservatórios também foi colocada em xeque. O processo de concorrência não é necessário quando o custo do contrato é inferior a R$ 16 mil.
A Emdurb está pagando R$ 100,00 ao dia por cada um dos oito tanques locados. Ainda não há, no entanto, prazo para que eles sejam retirados do aterro. Nico Mondelli admitiu que há o risco de o valor total supere o teto autorizado pela Lei de Licitações.
“Daí, a gente vai ter que se reunir para ver o que vai fazer. Mas eu não acredito que isso aconteça”, disse o presidente. Ele não soube também precisar, até agora, quanto já foi gasto com o contrato.
Os parlamentares determinaram que esses e outros esclarecimentos sejam prestados amanhã, na reunião ordinária da Comissão de Obras.
