Política

400 famílias terão que fazer calçadas para receber asfalto


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Pela primeira vez, a Prefeitura vai exigir que moradores construam calçadas para que tenham suas ruas asfaltadas. O “experimento”, que passará a ser regra para a maioria dos próximos contratos de pavimentação, será feito em 18 quadras do Jardim Solange e em 7 do Parque Bauru, afetando cerca de 400 residências.

O asfalto nessas vias será possível graças a recursos liberados pelo governo federal por indicação de deputados federais e, agora, a União só autoriza o pagamento dessas obras de pavimentação quando o passeio público está em acordo com as regras, respeitando o nível da rua e com pelo menos 1,5 metro de largura.

Além de a prefeitura não possuir recursos para construir as calçadas de todas as ruas a serem asfaltadas, a legislação atribui essa responsabilidade aos munícipes.

Malavolta Jr.
Para João Felipe, o gasto a mais valerá a pena pelo bem-estar
Malavolta Jr.
Martin espera pelo asfalto desde que se mudou para o Solange

Secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues estima que as famílias gastarão, em média, R$ 550,00 para providenciar a calçada, já contando com a mão-de-obra. Esse custo poderia ser maior, mas ele pontua que os moradores não precisarão, por exemplo, locar caçambas para executar o serviço.

Isso porque, antes de exigir a construção do passeio público a prefeitura vai nivelar as ruas e fazer guias e sarjetas. “A gente vai providenciar isso para determinar a altura tanto do asfalto quanto da calçada. Depois, vamos dar um prazo, acredito que de 15 dias, para que a população faça a sua parte. Só depois é que vem o asfalto”, explica.

A ação deve envolver, além da Obras, as secretarias de Planejamento, responsável pela fiscalização do passeio público no município, e de Administração Regionais.

“Junto com a Sear, vamos mobilizar as comunidades que vão receber a pavimentação. A ideia é, entre o final de julho e a primeira quinzena de agosto, promover reuniões nos dois bairros para explicar o que vai acontecer e pontuar a necessidade de colaboração de todos”, conta Sidnei.

O trabalho deve começar no Jardim Solange. Isso porque a licitação da pavimentação desse bairro já foi homologada e será executada pela empresa H. Aidar, por R$ 935 mil. O contrato englobará ainda a implantação de 32 metros de galerias pluviais.

A FX-Enge fará o asfalto e 136 metros de galerias no Parque Bauru, por R$ 433 mil. Ambas as obras devem ser executadas ao longo do segundo semestre deste ano.

PAC

A exigência das calçadas aos moradores em troca do asfalto nos dois bairros servirá como teste para a Prefeitura de Bauru. Isso porque a regra valerá para as 703 quadras contempladas pelo PAC Pavimentação.

Essas obras, no entanto, ainda não foram licitadas desde a suspensão do processo de concorrência, em função de apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

23 anos de espera...

O aposentado José Maria Martins, 73 anos, conta que cada eleição para prefeito sempre traz a promessa (por parte de candidatos) e a esperança de ter sua rua asfaltada. Há 23 anos, ele mora na mesma casa do Jardim Solange e há 23 anos espera a realização do que ele chama de sonho.

“O asfalto é uma questão de dignidade, do direito de ir e vir. Quando chove, a gente não consegue sair de casa. Sem falar na sujeira...”, lamenta.

Ele recebe bem a ideia de construir a calçada para a sua casa, na esquina da quadra 2 da rua Pedro Júlio de Oliveira. “Eu me comprometo a fazer a minha. A prefeitura não tem como fazer tudo mesmo e é um interesse de todos. Tenho filhos que moram por aqui e, com certeza, vão topar também”.

Na frente da casa de José Maria até existe uma calçada, mas fora do padrão. O secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, diz que essa situação é bastante comum e, mesmo para esses casos, valerá a exigência

Seu vizinho João Felipe Oliveira, 21 anos, mora no Solange desde que nasceu. Para ele, o gasto a mais com o passeio público compensará. “De qualquer maneira, a gente teria que fazer. É uma obrigação dos moradores e a comunidade toda vai se beneficiar”.

O empreiteiro acredita que acabar com as ruas de terra é uma questão de saúde pública. “Principalmente no tempo seco, muitas crianças ficam doentes por causa da poeira que sobe e vai para dentro de casa. É muito ruim”.


 

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