Tribuna do Leitor

Estupro ? alerta aos pais

Roberto Barbieri ? rrbarbieri@terra.com.br
| Tempo de leitura: 3 min

Recentemente o sr. Percival Puggina (http://www.puggina.org/) manifestou suas ideias em crônica de “Alerta aos Pais”, levantando a prática de muitas escolas, lastreadas nas filosofias políticas de seu corpo docente, de doutrinar seus alunos utilizando o proselitismo político.


O Sr. Puggina criticou os professores que adotam meios de doutrinação política, comparando este ato a um verdadeiro “estupro de mentes juvenis”, pois os jovens não possuem meios de se defender de meios ardilosos e sutis na cooptação de militantes para a visão de mundo dos doutrinadores de economia, de política, de história. Enfim, defendeu que se os professores querem fazer apologia da forma política que defendem, que o façam com alguém do seu tamanho intelectual, onde possam ser questionados e não se caracterize um abuso mental de uma mente mais experiente sobre uma mente ainda em formação.


Concordamos plenamente com o sr. Puggina sobre este abuso que de fato existe e passa despercebido à maioria dos pais. Se bem que, numa análise fria sobre o assunto, encontramos um paradoxo interessante: se o professor for um socialista, por exemplo, e o pai do jovem também for adepto do socialismo, este último não vai achar uma afronta ao seu jovem filho a atuação do professor e sim até o aplaudirá achando que seu filho está recebendo a educação devida. Porém, com apoio ou não dos próprios pais, o processo equivocado estará instaurado. Evidente que para os pais não socialistas, dentro do mesmo exemplo, a ofensa e a violência mental praticada tornam-se aviltantes.


O assunto terminaria por aí se não houvesse uma lacuna enorme na análise do sr. Puggina: ele basicamente colocou como prejudicial, unicamente e de forma específica, a doutrinação política, econômica e histórica. Esqueceu-se ele que o proselitismo e doutrinação religiosas são tão perniciosos quanto qualquer outra doutrinação dogmática.


Assim qualquer doutrinação em jovens, que é a formação de opinião “goela abaixo”, perceptível ou não, incluindo a religiosa, é uma agressão às mentes em formação que não possuem ainda os anticorpos de contestação e pode também ser comparada ao seu “estupro de mentes juvenis”. Hoje se briga muito para que a escola tenha poderes de influenciar a educação religiosa dos jovens, por incrível que pareça com aval irrestrito de muitos pais, quando não se vê ninguém brigando para que a escola sirva de instrumento de formação de mentes livres, que apresente ao seu humano os valores sociais da filosofia, da moral e da ética.   


Esquecem que o papel da escola seria mostrar os caminhos para se chegar ao conhecimento e que é vantajoso aprender a pensar por si próprio. Assim a opção política, a opção religiosa e outros posicionamentos individuais deveriam ser fruto do amadurecimento em cima de posições pessoais consistentes, lastreadas na honestidade intelectual do indivíduo para consigo mesmo.  


Tudo isto dando-se a este indivíduo a compreensão de todos os atributos acima citados que podem fazê-lo melhor para si e para os outros, como a filosófica, a ética, a moral, o civismo, a cidadania, a fraternidade, o companheirismo, a cooperação, o respeito, inclusive o amor ao próximo, tudo independentemente de doutrinas e dogmas.


Os conhecimentos técnicos e eruditos entrariam na vida de cada um por agregação até de maneira mais fácil. Porém, cada qual acha que a sua própria crença é a melhor e quer que outros a sigam.

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