| Quioshi Goto |
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| Agente de trânsito sofreu um trauma no antebraço direito depois de motorista a chutar |
Enxergar a violência como a única forma de resolver os problemas teria motivado um motorista enfurecido a chutar uma agente de trânsito, na manhã dessa quarta-feira (15), no Centro, em Bauru, após receber uma autuação por uso de cartão de estacionamento rotativo inválido. Ela acabou no Pronto-Socorro Central (PSC), onde foi constatado que sofreu um trauma no antebraço direito. O caso chegou até a polícia e a Empresa de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) garante que proporcionará todo o apoio jurídico necessário.
Tudo começou por volta das 11h30, quando a agente de trânsito de 28 anos, cuja identidade será preservada por questões de segurança, decidiu autuar um veículo que estava estacionado na quadra 8 da rua Manoel Bento da Cruz, no Centro. Segundo a servidora, o cartão de estacionamento rotativo do motorista de 31 anos estava vencido há oito minutos e ele não teria preenchido a data no documento. Diante disso, mulher o notificou apenas por cartão inválido, já que não constava todos os dados necessários, não por estar vencido há pouco tempo.
Depois, a agente continuou o trabalho de fiscalização pelas ruas do Centro, mas, na quadra 16 da rua Gustavo Maciel, o motorista a encontrou. O homem teria saído de um hospital, onde estava internado. “Ele começou a proferir palavras de baixo calão e falou que eu não tive consideração por tê-lo multado com apenas oito minutos de atraso”, descreve. Contudo, a mulher explicou que não o notificou pelo cartão vencido.
Ao invés de se acalmar, o motorista a ameaçou e, para dar credibilidade à hostilidade, afirmou que era ex-presidiário e não teria problemas em ir para a cadeia novamente. “Quando ele disse isso, eu virei as costas e saí, mas o homem continuou discutindo com o meu parceiro”, narra. Em seguida, os dois agentes de trânsito seguiram pela rua. “Foi aí que ele deu um chute no meu antebraço direito”, conta. O JC apurou que o homem teria alegado que queria chutar a prancheta da funcionária. O outro agente o imobilizou até a chegada da PM.
A vítima só não foi até a delegacia junto ao colega de trabalho e o acusado, porque, além de se machucar, ficou tão abalada com a situação que apresentou uma elevação da pressão arterial. “Meu parceiro fez a queixa, já estamos com o BO em mãos e também passei por um exame de corpo de delito. A partir de agora, nós representaremos contra o motorista”, revela. Conforme o JC apurou, o homem teria sido liberado após passar pela Central de Polícia Judiciária (CPJ).
Problema antigo
Ao menos uma vez ao dia, um agente do Grupo de Operações de Trânsito (GOT) da Emdurb é desacatado, ameaçado ou agredido verbalmente durante o exercício da função. O dado já havia sido revelado pela autarquia, conforme reportagem do JC do dia 18 de agosto de 2014. Na ocasião, o gerente técnico de infrações do órgão, Gustavo Cardoso, estudava melhorar o relacionamento dos agentes de trânsito junto aos motoristas da cidade.
Por outro lado, parece que as consecutivas ações de prevenção da violência não surtiram efeito para alguns condutores. O JC apurou que, só ontem, foram registrados quatro casos envolvendo servidores da Emdurb hostilizados. Todavia, Cardoso informa que foram apenas duas ocorrências.
De acordo com o gerente técnico de infrações, a autarquia tenta conscientizar os motoristas sobre a importância da presença dos agentes de trânsito nas ruas por meio de campanhas. “A prioridade do agente não é autuar, mas atuar no trânsito”, defende. Exemplo claro desta função é o que ocorreu na última segunda-feira, quando semáforos das avenidas Rodrigues Alves, Duque de Caxias e Nações Unidas ficaram inoperantes após um curto-circuito.
Cardoso acrescenta ainda que a ausência de cartão rotativo em veículos estacionados nas áreas azul e verde é considerada o cerne dos conflitos. “Nós conseguimos fazer um bom trabalho de educação no trânsito, mas existe uma minoria que quer levar vantagem em uma situação e acaba hostilizando os trabalhadores”.
Em relação à proteção dos 45 agentes de trânsito, o gerente técnico de infrações garante que o órgão fornece todo o apoio jurídico aos servidores agredidos. “Nós já tivemos duas ou três situações em que os motoristas tiveram de pagar cesta básica a entidades assistenciais como penalização pelas agressões”. Além disso, Cardoso afirma que entrará em contato com a PM e solicitar a criação de uma escala fixa nos locais mais críticos.
‘Fui agredida 40 vezes, mas só um foi punido’
Ainda abalada com a situação, a agente de trânsito que foi agredida com um chute no antebraço direito confirma que as agressões verbais por parte motoristas descontentes é bastante comum, conforma apontou o gerente técnico de infrações, Gustavo Cardoso. Tanto que, em cinco anos de carreira, a servidora já foi hostilizada cerca de 40 vezes.
Todavia, esta foi a primeira em que a agressão verbal tornou-se física. Ela revela ainda que todos os casos foram levados até a polícia, mas, em apenas um, houve uma punição efetiva. “O motorista teve de pagar uma cesta básica”, define. Além disso, a agente de trânsito informa que também já foi ameaçada de morte diversas vezes.
