O boxeador Roberto Custódio, campeão do Pan-Americano de 2013, na Costa Rica, está em Toronto, no Canadá, na tentativa de repetir o feito no Pan-Americano deste ano. Ele é festeja pela organização não governamental Luta Pela Paz, onde entrou há 13 anos. “Está na seleção há cinco anos, e para nós é também um orgulho”, disse Juliana Tibau, coordenadora da ONG que atua no Complexo da Maré, zona norte do Rio de Janeiro.
Outro grande exemplo do trabalho desenvolvido pela ONG é Carlos Eduardo Gomes Viana, que estava há dez anos sem estudar, quando entrou para a ONG, em janeiro de 2011, e lá passou a trabalhar dois anos depois, retomou os estudos e concluiu o ensino médio. “Agora, estou no terceiro período da Faculdade de Pedagogia. Imagina o que isso foi para mim. Eu estava fora da escola, sem perspectiva de vida, voltei a estudar e agora estou trabalhando em uma instituição que me ajudou e me mostrou que vale a pena estudar. Hoje, praticamente o que sou e o que tenho devo à ONG”, comentou.
Segundo Juliana Tibau, esses são apenas dois dos milhares de casos de jovens bem-sucedidos, de comunidades pobres, que receberam assistência do programa iniciado em 2000, como projeto do Viva Rio, do qual ganhou independência em 2007, quando foi formada com o nome que tem hoje pelo antropólogo inglês Luke Dowdney. Comemora, portanto, 15 anos de funcionamento com inauguração de filial em Londres, transformando-se em ONG global.
Juliana Tibau, disse que a organização investiu muito na metodologia holística – que amplia a relação e a maneira de ver o mundo, ressaltando os potenciais humanos inatos – e um dos destaques da rede hoje é poder compartilhar a metodologia construída nesses 15 anos. Segundo ela, em 2000 foram atendidos 15 jovens do Complexo da Maré, e atualmente a ação está espalhada em quatro continentes.
O apoio a jovens de comunidades afetadas pela criminalidade e violência é levado a 25 países, totalizando 135 instituições parceiras treinadas e em torno de 250 mil jovens atendidos, com base em cinco pilares: esporte (boxe e artes marciais), que é, em geral, a porta de entrada dos jovens; educação; empregabilidade; suporte social; e liderança juvenil.
De acordo com Juliana, a ampliação só foi possível porque a Luta Pela Paz tem como funcionários jovens das próprias comunidades assistidas. Além disso, há um conselho jovem, eleito anualmente, com representantes de todos os setores do projeto, que participam da seleção de funcionários às reuniões de diretoria. "A gente tem uma coordenação muito compartilhada com os principais atores, que são as crianças e jovens do projeto”, comentou ela.
Os pilares, porém, estão entrelaçados. Quem faz esporte é obrigado a participar de desenvolvimento social, que é uma aula de cidadania. "A gente acredita", disse a coordenadora, que por meio da teoria da mudança, o jovem terá uma visão de futuro diferente da que tinha quando entrou no projeto. Ela esclareceu, no entanto, que o pilar de educação não disputa com a escola tradicional, mas resgata o jovem que está fora da escola, incentivando-o a retornar à sala de aula.
“É um ensino diferenciado”, ressaltou. Os jovens têm acompanhamento de mentores, psicológicos, advogados. Nos quatro feirões organizados por ano, pela ONG, empresas convidadas oferecem vagas de trabalho aos moradores do Complexo da Maré. A Luta Pela Paz incentiva também redes de discussão entre os jovens, de modo a incentivar mais interação com a cidade, formando lideranças juvenis.